O julgamento de um dos crimes mais impactantes contra a advocacia mato-grossense nos últimos anos ganhou novos contornos nesta terça-feira (29). Durante a primeira fase da instrução do júri que analisa o assassinato de Roberto Zampieri, em Cuiabá, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) trouxe à tona a existência de investigações complementares que buscam identificar outros possíveis mandantes da execução, ocorrida em dezembro de 2023.
A sessão, realizada na 11ª Vara Criminal da capital, foi marcada pelo depoimento estratégico do delegado Nilson André Farias de Oliveira, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Como primeira testemunha de acusação, Oliveira detalhou a complexa teia que envolve o planejamento e a execução do advogado, fornecendo aos jurados uma visão técnica sobre como a Polícia Civil desvendou o crime.
Depoimento de delegado reconstrói execução e planejamento do crime
Os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins conduziram os questionamentos focados na dinâmica do homicídio. O objetivo central foi demonstrar que a morte de Zampieri não foi um ato isolado, mas uma ação meticulosamente planejada. O delegado Nilson André detalhou os passos dos executores, desde o monitoramento da rotina da vítima até o momento dos disparos em frente ao seu escritório no bairro Bosque da Saúde.
A acusação buscou solidificar a prova técnica, utilizando os elementos colhidos durante o inquérito para convencer o conselho de sentença sobre a participação direta dos réus. Segundo o promotor Vinícius Gahyva, a instrução em plenário é o momento crucial para que os jurados compreendam o conjunto probatório que sustenta a denúncia, permitindo uma análise justa e rigorosa dos fatos apresentados.
Os réus no banco: do executor ao suporte logístico da ação
No banco dos réus, três nomes figuram como peças-chave da engrenagem criminosa, cada um com funções específicas delimitadas pela investigação do MPMT:
- Antônio Gomes da Silva: apontado como o executor direto, responsável por efetuar os disparos de arma de fogo contra o advogado.
- Hedilerson Fialho Martins Barbosa: acusado de participar do planejamento e de fornecer a arma utilizada no crime.
- Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas: denunciado por integrar a ação criminosa e dar suporte à empreitada.
A defesa dos acusados tenta contrapor as teses da promotoria, mas o Ministério Público mantém o foco na responsabilidade individualizada. O promotor Samuel Frungilo esclareceu que o julgamento atual se restringe aos executores e participantes diretos, garantindo que a justiça seja feita em relação àqueles que puxaram o gatilho ou viabilizaram o ato físico da violência.
Investigação paralela busca identificar outros mentores do homicídio
Um dos pontos de maior repercussão durante a audiência foi a confirmação de que o caso está longe de ser encerrado com o julgamento dos executores. Frungilo revelou que permanece em aberto uma investigação complementar conduzida em conjunto pela Polícia Civil e pela Polícia Federal. O foco agora é o casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, já apontados como possíveis mandantes em outras frentes de apuração.
Essa ramificação do processo sugere que a motivação do crime pode estar ligada a disputas de terras ou questões jurídicas complexas nas quais Zampieri atuava. A continuidade das investigações visa garantir que todos os envolvidos, especialmente aqueles que financiaram ou ordenaram a morte, sejam levados ao tribunal. O assistente de acusação, advogado Giovani Santin, acompanha de perto esses desdobramentos para assegurar a punição integral dos responsáveis.
Justiça e o cerco contra a impunidade no caso Zampieri
Presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, a sessão de julgamento é acompanhada com atenção pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pela sociedade civil. O assassinato de um advogado no exercício de sua profissão é visto como um ataque ao próprio Estado Democrático de Direito, o que eleva a pressão por uma resposta contundente do Judiciário.
O desfecho deste júri servirá como um termômetro para a segurança jurídica em Mato Grosso. Enquanto os executores enfrentam o veredito popular, o Ministério Público reafirma seu compromisso de não deixar lacunas na investigação, sinalizando que o cerco contra os mandantes continua apertando. A expectativa é que novos nomes e provas surjam nos próximos meses, consolidando a resolução definitiva de um dos crimes mais bárbaros da história recente de Cuiabá.
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