O Cerrado, bioma fundamental para o equilíbrio hídrico do Brasil, enfrenta um processo acelerado de degradação. Dados recentes da Coleção 11 do MapBiomas revelam que, entre 1985 e 2025, o bioma perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em faixas de até 500 metros de rios e cursos d’água. Esse número representa 26,9% de toda a supressão vegetal registrada no território no período, evidenciando uma pressão direta sobre as margens que protegem o abastecimento de água do país.
A relevância desse cenário é amplificada pelo fato de o Cerrado ser o berço das principais bacias hidrográficas brasileiras. A perda de vegetação nessas áreas sensíveis compromete a capacidade de recarga dos aquíferos e a qualidade da água que abastece milhões de pessoas e movimenta setores vitais da economia nacional.
Impacto nas bacias e avanço do agronegócio
As bacias do Alto Tocantins e do Araguaia figuram como as mais afetadas pelo desmatamento nas proximidades dos leitos. Juntas, elas somam cerca de 5,7 milhões de hectares de vegetação suprimida, o que equivale a 41% de toda a redução observada em áreas de preservação permanente no bioma. O Médio São Francisco também apresenta números preocupantes, com uma queda de 4,9 milhões para 3,8 milhões de hectares de vegetação nativa.
O avanço da agropecuária é o principal motor dessa transformação. Em 41 anos, a área ocupada por atividades rurais no Cerrado cresceu 110%, saltando de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares. Atualmente, quase metade do bioma, ou 48,9% de sua extensão total, está sob uso agropecuário. A agricultura, em especial, consolidou sua presença, com o Cerrado concentrando 49,2% de toda a área de soja cultivada no Brasil em 2025.
Fragmentação e perda de cobertura nativa
A transformação da paisagem é nítida quando se observa a distribuição geográfica da vegetação. Atualmente, apenas seis dos 13 estados que possuem áreas de Cerrado mantêm mais da metade de sua porção original coberta por vegetação nativa. O Piauí lidera a preservação com 78,2%, enquanto São Paulo apresenta a menor cobertura, com apenas 14,7%.
A fragmentação também atinge os municípios. O número de cidades com mais de 80% de vegetação nativa despencou de 624 para 225, enquanto 301 municípios perderam o predomínio da cobertura vegetal original. Em contraste, as áreas protegidas — que incluem terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação — demonstram maior resiliência. Embora ocupem apenas 7,5% do bioma, essas regiões concentram 13,9% da vegetação nativa remanescente, com uma perda significativamente menor, de 500 mil hectares, desde 1985.
A situação exige atenção constante de pesquisadores, gestores públicos e da sociedade civil. O monitoramento contínuo, como o realizado pelo MapBiomas, é essencial para compreender a velocidade das mudanças e subsidiar políticas de conservação mais eficazes. Para acompanhar os desdobramentos sobre o meio ambiente e outros temas relevantes para o país, continue lendo o Play Notícias News, seu portal de referência em informação contextualizada e de qualidade.
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