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O mercado financeiro brasileiro reagiu com otimismo ao cenário eleitoral desenhado após o primeiro turno, levando o dólar a um fechamento abaixo da marca psicológica de R$ 5 nesta sexta-feira. A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 4,9856, acumulando uma desvalorização expressiva de 4,44% ao longo da semana, um movimento que reflete a reavaliação de riscos por parte dos investidores frente à corrida presidencial.
O recuo da divisa está diretamente atrelado à divulgação de novas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno. Levantamentos recentes colocaram o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alterando as expectativas do mercado sobre a condução da política econômica no próximo mandato. A percepção de que uma eventual gestão do senador poderia sinalizar um controle mais rigoroso das contas públicas tem impulsionado a confiança de agentes financeiros, que buscam posicionamento em ativos de risco.
Impacto das pesquisas e a reação dos mercados
A pesquisa Datafolha, divulgada na noite de quinta-feira, apontou o senador com 49% das intenções de voto, contra 45% do atual presidente, configurando um cenário de empate técnico dentro da margem de erro. Já o levantamento da Atlas/Bloomberg, apresentado na manhã de sexta-feira, trouxe números mais distantes, indicando 51,1% para Flávio contra 45,7% para Lula, o que consolidou o sentimento de mudança entre os investidores.
Essa movimentação política tem gerado efeitos diretos na curva de juros futuros, que cedeu ao longo da semana, acompanhando o alívio na cotação do dólar. A expectativa de que o equilíbrio fiscal possa abrir espaço para uma trajetória de juros mais baixos no futuro próximo tem sido o principal motor para a valorização dos ativos brasileiros, incluindo o Ibovespa, que também capturou esse otimismo.
Contexto econômico e cenário internacional
Além das variáveis domésticas, o comportamento do dólar no Brasil também encontrou suporte no cenário externo. A moeda norte-americana apresentou recuo frente a outras divisas de mercados emergentes, como o peso chileno, o peso colombiano e o rand sul-africano. Esse movimento indica um apetite global por risco, que favorece países emergentes quando as condições internas permitem maior previsibilidade.
Por outro lado, o cenário inflacionário brasileiro segue no radar. O IBGE informou que o IPCA de setembro subiu 0,82%, superando a projeção de 0,73% dos economistas. Em 12 meses, a inflação oficial atingiu 4,58%, ficando acima dos 4,50% esperados. Apesar do dado acima do previsto, a reação do mercado foi contida, priorizando o otimismo com o cenário eleitoral.
Para o investidor, o momento exige atenção redobrada à volatilidade. O Banco Central segue atuando na gestão da liquidez, tendo realizado nesta sexta-feira o leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem. Acompanhar os próximos desdobramentos da campanha eleitoral e os indicadores macroeconômicos será fundamental para entender se essa tendência de queda do dólar se manterá nas próximas semanas.
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