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O peso financeiro das candidaturas fora da polarização
O cenário eleitoral brasileiro, marcado por uma intensa polarização, deixou em segundo plano um grupo de candidatos que, embora distante do protagonismo na disputa ao Palácio do Planalto, movimentou cifras expressivas. Somados, os presidenciáveis que não alcançaram a vitória representaram 8,15% dos votos válidos, totalizando 9.316.747 eleitores. Para viabilizar suas campanhas, esses nomes investiram um montante de R$ 31,9 milhões, conforme dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A análise desses números revela uma métrica curiosa sobre a eficiência dos gastos eleitorais: o custo por voto. Ao dividir o total de despesas pelo número de sufrágios conquistados, chega-se a uma média de R$ 3,43 por eleitor. Esse cálculo, embora não reflita a complexidade de uma campanha política, serve como um termômetro para avaliar o esforço financeiro empreendido por cada legenda em busca de representatividade e espaço no debate público nacional.
Disparidade nos investimentos e eficiência nas urnas
A relação entre o montante gasto e o resultado final nas urnas apresentou variações significativas entre os candidatos. O caso mais emblemático de custo elevado por voto foi o do veterinário Wilson Grassi (Democrata), que registrou um gasto de R$ 1.075.399,66 para conquistar 16.881 votos. Esse cenário elevou o custo individual de cada voto para R$ 63,70, o maior entre todos os concorrentes analisados.
Outros nomes também apresentaram um custo por voto acima da média, como Clariana Barão (DC), que investiu R$ 998 mil para obter 40.043 votos, resultando em R$ 24,94 por eleitor. Já o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que obteve 0,27% dos votos válidos, viu cada um de seus 326.488 votos custar R$ 13,25. Esses dados evidenciam como estratégias de comunicação e alcance territorial impactam diretamente o orçamento das campanhas, independentemente do desempenho final.
A dinâmica financeira da chamada terceira via
Entre os candidatos que buscaram se consolidar como uma alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, a dinâmica de gastos foi distinta. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que figurou entre os nomes com mais de 1% dos votos, destinou recursos que resultaram em um custo de R$ 8,45 por cada um de seus 2.605.148 votos. A estratégia, embora robusta, não foi suficiente para alterar o curso da disputa principal.
Por outro lado, houve casos de campanhas com maior capilaridade e menor custo unitário. O escritor Augusto Cury (Avante), terceiro candidato mais votado entre os não eleitos, com 2,89% dos votos, apresentou o custo mais baixo do grupo, com apenas R$ 0,16 por eleitor. O levantamento completo, que inclui nomes como Hertz Dias (PSTU), Samara (UP), Edmilson Costa (PCB), Renan Santos (Missão) e Rui Costa Pimenta (PCO), reforça que a relação entre investimento financeiro e adesão popular é multifatorial e depende de variáveis que vão além do aporte de recursos.
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