A busca pelo corpo ideal tem ganhado novos aliados com a popularização de medicamentos injetáveis, como a semaglutida e a tirzepatida. No entanto, a rapidez com que esses tratamentos promovem a perda de peso tem gerado um efeito colateral estético preocupante: a flacidez facial acentuada e a aparência envelhecida. O fenômeno, que tem sido observado com frequência em consultórios de harmonização facial, ocorre quando a pele não consegue acompanhar a velocidade da redução da gordura corporal.
O impacto da velocidade na produção de colágeno
A especialista em harmonização facial, Nayara Cerutti, explica que o organismo humano possui um tempo biológico necessário para a regeneração celular. Quando um paciente perde entre 18 e 20 quilos em um intervalo de apenas seis meses, a pele, muitas vezes, não dispõe de tempo hábil para produzir o colágeno suficiente para manter a sustentação dos tecidos. Esse descompasso entre a perda de volume e a retração cutânea resulta em uma fisionomia marcada por sulcos e perda de contorno.
Segundo a especialista, a idade do paciente é um fator determinante na severidade do quadro. Indivíduos mais jovens possuem uma capacidade regenerativa superior, o que torna o impacto visual menos perceptível. Em contrapartida, pessoas que já atravessam mudanças hormonais, como a fase de pré-menopausa, sofrem com uma redução natural na síntese de colágeno, tornando a flacidez decorrente do emagrecimento rápido um desafio estético mais complexo de ser revertido.
Obesidade e o estilo de vida em Cuiabá
O alerta de Nayara Cerutti ganha contornos regionais ao considerar o cenário de Cuiabá. A capital mato-grossense é apontada por especialistas como uma das cidades com maiores índices de obesidade no Brasil. Para a profissional, o clima quente característico da região desempenha um papel importante nesse contexto, pois atua como um fator que, muitas vezes, estimula o sedentarismo e dificulta a prática de atividades físicas ao ar livre.
Embora medicamentos modernos, aprovados pela Anvisa, representem um avanço significativo no combate à obesidade e suas comorbidades, a especialista ressalta que o tratamento não deve ser visto como uma solução mágica sem riscos. A eficácia clínica dessas substâncias é inegável, mas o acompanhamento médico é indispensável para monitorar não apenas a saúde metabólica, mas também os reflexos estéticos que acompanham a transformação corporal.
Equilíbrio e acompanhamento profissional
A recomendação central é que o emagrecimento seja conduzido de forma gradual e assistida. A pressa em atingir resultados na balança pode custar a firmeza da pele, exigindo posteriormente procedimentos corretivos de harmonização para devolver o volume e a sustentação perdidos. O sucesso do tratamento, portanto, reside no equilíbrio entre a perda de peso saudável e a preservação da integridade estrutural da face.
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