A colheita de trigo avançou para 9% da área plantada, enfrentando um ritmo irregular e diversas interrupções provocadas pelo excesso de chuvas. Diante desse cenário adverso, a técnica de dessecação para a uniformização da maturação tem sido adotada para antecipar a retirada do cereal das lavouras e preservar a qualidade dos grãos. Contudo, essa prática resulta na colheita de produtos com maior teor de umidade, elevando diretamente os custos operacionais nas unidades voltadas ao beneficiamento e à secagem.
Enquanto algumas lavouras bem manejadas ou livres de intempéries mantêm um potencial produtivo satisfatório, as estimativas regionais revelam quedas preocupantes. Nas áreas que ainda se encontram em fase reprodutiva, a combinação de chuvas constantes, alta umidade do ar e baixa radiação solar compromete severamente o enchimento dos grãos. Já nas plantações próximas da colheita, produtores observam descoloração na palha e enrugamento nos grãos, fatores que aumentam os riscos de perdas no peso hectolitro e afetam os parâmetros comerciais exigidos pelo mercado conforme dados divulgados pelo setor.
Impactos climáticos e fitossanitários nas lavouras
Nas regiões com cultivos mais tardias, a situação é agravada pelas restrições operacionais para o controle fitossanitário. O tempo instável dificulta a aplicação de defensivos e impulsiona o surgimento de doenças severas, a exemplo da giberela, da brusone e de diferentes bacterioses. Além disso, temporais acompanhados de ventos fortes e granizo causaram danos físicos expressivos, como o acamamento das plantas, quebra de espigas e debulha, especialmente nos municípios localizados na região Noroeste.
Diante dos prejuízos acumulados, muitos agricultores já começaram a acionar o Proagro e outras modalidades de seguros agrícolas. As vistorias técnicas continuam em andamento para mensurar com precisão a extensão das perdas financeiras e produtivas em cada localidade afetada pelas intempéries climáticas recentes.
Panorama regional da produção de trigo
A projeção oficial da Emater/RS-Ascar para a safra aponta uma área cultivada de 814.220 hectares, com uma produtividade média estimada em 2.701 kg/ha. No entanto, o desempenho varia de forma expressiva entre as diferentes regiões administrativas do estado:
- Fronteira Oeste (Bagé): Colheita em ritmo lento, com destaque para Itaqui, onde os índices variam entre 1.200 e 1.500 kg/ha devido à baixa radiação e forte incidência de brusone.
- Campos de Cima da Serra (Caxias do Sul): Lavouras ingressam na fase reprodutiva com risco de giberela e dificuldades operacionais para o manejo preventivo com fungicidas.
- Frederico Westphalen: Com 10% da área colhida e produtividade estimada em 2.500 kg/ha, o excesso hídrico e as doenças fúngicas afetam o rendimento final.
- Santa Rosa: Ocorrência de temporais com granizo gerou acamamento e quebra de espigas, gerando forte preocupação com os custos de secagem e queda de qualidade.
Variação nos preços de comercialização
No aspecto comercial, o valor médio da saca de 60 quilos registrou uma leve retração de 0,43% no levantamento semanal da Emater/RS-Ascar, passando de R$ 74,47 para R$ 74,15 para o produto com peso hectolitro padrão 78. Em contrapartida, na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, a cotação para o cereal disponível permanece firmada em R$ 85,00 por saca.
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