O mercado financeiro brasileiro registrou uma mudança significativa no comportamento dos investidores durante o mês de setembro. Segundo levantamento realizado pela XP com sua base de assessores de investimentos, o apetite por ações atingiu o maior salto mensal desde junho de 2023. O movimento reflete uma alteração no sentimento de risco, impulsionado pela recente trajetória de valorização do Ibovespa.
De acordo com os dados divulgados nesta segunda-feira (28), a parcela de assessores que relata planos de seus clientes para aumentar a exposição em renda variável subiu para 29% em setembro. O número representa uma alta expressiva de 19 pontos percentuais na comparação com agosto, atingindo a maior leitura desde março deste ano. Em contrapartida, o grupo que planeja reduzir a exposição caiu para 11%, enquanto a fatia de investidores que prefere manter as posições inalteradas recuou para 60%.
Otimismo acompanhado pela recuperação do índice
A melhora na disposição para investir em ações caminha lado a lado com o desempenho recente da bolsa brasileira. Após encerrar agosto na casa dos 177 mil pontos, o Ibovespa engatou uma sequência de 11 pregões de alta no início de setembro, alcançando patamares que não eram vistos desde maio. Esse ciclo positivo, que acumula valorização de 3,4% no mês, serve como um termômetro para o apetite ao risco dos investidores.
O otimismo também se traduziu na nota média atribuída pelos assessores ao sentimento em relação à bolsa, que subiu de 5,7 em agosto para 6,8 em setembro. A proporção de profissionais que avaliam o cenário com nota 7 ou superior avançou 18 pontos, chegando a 61%. Simultaneamente, o pessimismo diminuiu, com a parcela de notas 5 ou inferior caindo para 23%.
Projeções para o futuro do Ibovespa
As expectativas para o médio prazo também foram revisadas para cima. A estimativa média dos assessores para o Ibovespa ao final de 2026 saltou para 188 mil pontos, superando a marca de 172 mil pontos projetada no levantamento anterior. Com o índice operando na casa dos 183 mil pontos, o mercado vislumbra um potencial de valorização de aproximadamente 2,5% até o fim do ano.
Apesar da mudança no discurso e nas intenções, a alocação efetiva nas carteiras dos clientes ainda apresenta cautela. Para 85% dos assessores, a renda variável ocupa até 25% do portfólio, mantendo o patamar observado em agosto. Quase metade dos consultados, cerca de 49%, relata que a exposição máxima em ações não ultrapassa 10% do patrimônio investido.
Cenário eleitoral e riscos fiscais no radar
Embora o otimismo com a bolsa tenha crescido, a renda fixa permanece como a classe de ativos preferida, citada por 84% dos assessores como o principal foco de interesse dos investidores. A preocupação com o cenário macroeconômico continua sendo um fator determinante para a cautela, com os riscos fiscais liderando as apreensões, citados por 78% dos entrevistados.
O pleito eleitoral de outubro também exerce influência direta sobre as decisões de alocação. Segundo a XP, 75% dos assessores afirmam que as eleições já impactam o posicionamento das carteiras, um aumento em relação aos 63% registrados no mês anterior. Além disso, a instabilidade política e os riscos geopolíticos, exacerbados por conflitos internacionais, completam o quadro de atenção dos investidores.
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