MATO GROSSO

Julgamento dos acusados de matar o advogado Roberto Zampieri entra na fase final de debates em Cuiabá

O júri dos três acusados pela morte do advogado Roberto Zampieri chega ao terceiro dia com debates intensos e previsão de sentença hoje.

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  • O julgamento de um dos crimes de maior repercussão recente em Mato Grosso chega a um momento decisivo.
  • Nesta sexta-feira (1º), o júri popular dos três acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri entra em seu terceiro dia…
  • A expectativa é de que a sessão se estenda por pelo menos 10 horas, concentrando-se nos debates acalorados entre o Ministério Público…
Julgamento dos acusados de matar o advogado Roberto Zampieri entra na fase final de debates em Cuiabá
Reprodução / TJMT

O julgamento de um dos crimes de maior repercussão recente em Mato Grosso chega a um momento decisivo. Nesta sexta-feira (1º), o júri popular dos três acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri entra em seu terceiro dia no Fórum de Cuiabá. A expectativa é de que a sessão se estenda por pelo menos 10 horas, concentrando-se nos debates acalorados entre o Ministério Público e as bancadas de defesa antes que os jurados se reúnam para o veredito final.

No banco dos réus estão Antônio Gomes da Silva, apontado como o executor dos disparos; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, instrutor de tiro acusado de fornecer a arma e dar suporte logístico; e o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, suspeito de ser o articulador e financiador do homicídio. O crime, ocorrido em dezembro de 2023, chocou o setor jurídico e levantou discussões sobre a segurança de profissionais do Direito em disputas de terras.

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Embates jurídicos e a contagem regressiva para o veredito

A dinâmica deste terceiro dia de julgamento é rigorosamente cronometrada pelo rito do Tribunal do Júri. De acordo com as previsões processuais, o Ministério Público terá cerca de três horas para sustentar a acusação, apresentando provas técnicas, depoimentos e a tese de que o crime foi uma execução planejada. Em contrapartida, as defesas dos três réus também disporão de três horas para apresentar suas contra-argumentações individuais ou coletivas.

Caso haja necessidade de aprofundamento, o rito prevê ainda a fase de réplica e tréplica, com duas horas adicionais para cada lado. Somente após esse ciclo de debates, o Conselho de Sentença, formado por sete cidadãos comuns, será isolado para responder aos quesitos formulados pelo juiz. A sentença final, que definirá a absolvição ou a condenação com a respectiva dosimetria da pena, deve ser proferida entre o final da noite de hoje e a madrugada de sábado.

Confissão chocante e tentativa negada de insanidade mental

Um dos momentos mais tensos dos dias anteriores foi o interrogatório de Antônio Gomes da Silva. O réu confessou abertamente ter sido o autor dos disparos que mataram Zampieri, mas apresentou uma narrativa que surpreendeu os presentes. Antônio afirmou ter agido por uma espécie de convicção pessoal, alegando que o advogado seria uma figura corrupta. Em uma declaração forte, ele chegou a dizer que “mataria de novo” se fosse necessário, tentando desvincular o crime de um mando remunerado.

Diante do comportamento do réu em plenário, sua defesa técnica tentou uma manobra jurídica de última hora: a suspensão do processo para a instauração de um incidente de insanidade mental. Os advogados argumentaram que as falas de Antônio demonstravam desequilíbrio psicológico. No entanto, o Ministério Público rebateu prontamente, classificando a estratégia como uma tentativa de “plantar uma nulidade” no processo após dois anos de tramitação sem qualquer menção a problemas mentais.

O magistrado responsável pelo caso indeferiu o pedido de exame de sanidade. Na decisão, o juiz destacou que o réu demonstrou plena consciência de seus atos, respondendo de forma coesa e compreendendo a gravidade das acusações. Com isso, o julgamento prosseguiu mantendo o foco na responsabilidade criminal direta dos envolvidos no caso Zampieri.

As negativas dos corréus e as mensagens de missão cumprida

Enquanto Antônio confessou a autoria, os outros dois réus mantêm a negativa de autoria. Hedilerson Fialho admitiu que conhecia o executor e que esteve em Cuiabá com uma pistola 9mm para uma competição de tiro, mas alegou que Antônio pegou sua arma sem autorização. Ele tentou justificar a mensagem “missão cumprida”, enviada ao coronel Caçadini, como um jargão comum entre militares e membros de seu grupo patriótico, sem relação com o homicídio.

Já o coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas negou qualquer envolvimento financeiro ou estratégico na morte do advogado. Ele afirmou que as movimentações bancárias investigadas pela polícia eram referentes a negócios lícitos de venda de equipamentos. A acusação, contudo, sustenta que o grupo operava de forma coordenada, com Caçadini ocupando o topo da pirâmide organizacional do crime.

O contexto do crime e a disputa por terras em Mato Grosso

Roberto Zampieri foi assassinado na noite de 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, no momento em que entrava em seu veículo após sair do escritório. A investigação policial e a denúncia do Ministério Público apontam que a motivação estaria ligada à atuação profissional da vítima em processos judiciais envolvendo disputas fundiárias de alto valor no interior do estado.

O desfecho deste julgamento é aguardado com ansiedade pela sociedade mato-grossense, pois simboliza a resposta das instituições contra a violência direcionada a operadores do Direito. A decisão dos jurados hoje não apenas definirá o futuro dos três réus, mas também enviará uma mensagem sobre a impunidade em crimes de mando na região.

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