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Juros futuros oscilam com pressão externa enquanto mercado aguarda definições eleitorais

Juros futuros oscilam com pressão externa enquanto mercado aguarda definições eleitorais e propostas fiscais dos candidatos à presidência.

Juros futuros oscilam com pressão externa enquanto mercado aguarda definições eleitorais
Daniel Dan / Unsplash

Após dois dias de quedas acentuadas, refletindo o otimismo dos investidores com o resultado do primeiro turno das eleições, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de longo prazo apresentaram uma leve alta nesta quarta-feira (7). O movimento, embora contido, marca uma pausa no ajuste de prêmios que dominou o início da semana, enquanto o mercado volta a monitorar de perto as influências externas e a ausência de propostas fiscais concretas.

No fechamento da sessão, a taxa do DI para janeiro de 2028 situou-se em 12,600%, recuando 1 ponto-base em relação ao ajuste anterior. Na ponta longa, o contrato para janeiro de 2035 encerrou em 12,79%, uma alta de 6 pontos-base. A estabilidade no curto prazo e a leve pressão na curva longa demonstram que, apesar do entusiasmo inicial com o cenário político, a cautela prevalece diante das incertezas macroeconômicas globais.

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Influências globais e o peso dos Treasuries

O comportamento dos juros brasileiros nesta quarta-feira foi fortemente balizado pelo cenário internacional. A alta nos rendimentos dos Treasuries norte-americanos de longo prazo e a volatilidade nos preços do petróleo, impulsionada por tensões no Oriente Médio, criaram um ambiente de maior aversão ao risco. Mesmo com o recuo pontual das taxas americanas durante a tarde, a curva brasileira manteve o viés de alta na parte longa.

A divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve reforçou a percepção de que os juros nos Estados Unidos devem permanecer em patamares elevados por um período prolongado. Segundo Leonardo Mendes, economista da Manchester, esse cenário impõe desafios adicionais aos mercados emergentes. A manutenção de juros altos na maior economia do mundo intensifica a competição pelo capital internacional, limitando o espaço para uma valorização mais robusta da moeda local e para um fechamento mais agressivo das curvas de juros domésticas.

O papel da política fiscal no mercado de renda fixa

A euforia observada na segunda e na terça-feira — quando a taxa para 2035 despencou 140 pontos-base — foi motivada pela liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para o mercado financeiro, a expectativa de um controle mais rigoroso das contas públicas sob uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro atua como um redutor de prêmios de risco. No entanto, analistas alertam que esse otimismo precisa ser sustentado por fatos.

Em relatório recente, especialistas da XP destacaram que a consolidação desse movimento depende diretamente da apresentação de propostas concretas. A falta de clareza sobre a composição das futuras equipes econômicas e a ausência de um plano detalhado para a sustentabilidade da dívida pública mantêm o mercado em estado de alerta. Embora o resultado eleitoral tenha trazido um alívio imediato, a trajetória dos juros nos próximos meses estará atrelada à evolução do debate econômico e à capacidade dos candidatos de sinalizarem responsabilidade fiscal.

Perspectivas para a Selic e o Copom

Enquanto a parte longa da curva reage a fatores externos e incertezas políticas, o trecho curto mantém um viés de baixa, refletindo a expectativa de continuidade no ciclo de cortes da Selic. Atualmente em 13,75%, a taxa básica de juros é alvo de apostas para novos recuos em novembro e dezembro. Dados da B3 indicam que o mercado precifica com alta probabilidade um corte de 25 pontos-base na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), embora o cenário final ainda dependa dos desdobramentos eleitorais e da inflação.

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