Detalhes contidos em um laudo pericial anexado ao processo judicial revelam a brutalidade do acidente que vitimou o motociclista Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, na madrugada de 30 de agosto, em Cuiabá. O documento, que fundamentou o recebimento da denúncia contra o condutor do veículo, descreve um cenário de destruição física causado pelo impacto de alta energia na Avenida Isaac Póvoas.
Detalhes da perícia e gravidade das lesões
O exame cadavérico detalha que a vítima sofreu politraumatismo severo, com lacerações extensas no pulmão e no fígado. Além disso, o laudo aponta fraturas múltiplas de arcos costais e uma ruptura traumática do diafragma, músculo essencial para a respiração. A combinação dessas lesões resultou em um quadro de hemotórax — acúmulo de sangue na cavidade torácica — e hemorragia interna massiva, o que tornou o quadro clínico irreversível.
A dinâmica do acidente e a velocidade
As investigações conduzidas pelas autoridades apontam que o motorista, identificado como Hercílio Junior Freitas Cordeiro, trafegava em velocidade incompatível com a via. Registros de um equipamento de fiscalização eletrônica instalado no cruzamento com a Rua Barão de Melgaço flagraram a BMW a 177 km/h. Mesmo após a aplicação da margem de tolerância, a velocidade aferida foi de 165 km/h, superando em mais de três vezes o limite permitido de 50 km/h.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o acidente ocorreu em duas etapas. Inicialmente, o condutor atingiu a motocicleta de Guilherme Nunes Medeiros no cruzamento com a Avenida Presidente Marques. Sem prestar socorro, o motorista seguiu em alta velocidade pela via, colidindo frontalmente com a motocicleta de Paulo Messias logo adiante.
Processo judicial e acusações
O juiz André Barbosa Guanaes Simões, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, aceitou a denúncia contra o acusado nesta quinta-feira (8). Hercílio Junior Freitas Cordeiro, que foi preso preventivamente no dia 5 de setembro, responde agora por homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio qualificado e crimes de trânsito. O magistrado destacou que o conjunto probatório, composto por laudos, registros de velocidade e relatórios policiais, oferece elementos suficientes para o prosseguimento da ação penal.
A investigação também apontou que o motorista não possuía habilitação e conduzia o veículo sob influência de álcool no momento da colisão. Após o segundo impacto, o condutor teria abandonado o veículo nas proximidades da Santa Casa de Misericórdia e fugido do local. O recebimento da denúncia marca o início da fase processual, onde a defesa terá a oportunidade de apresentar seus argumentos antes de uma eventual sentença.
O caso segue sendo acompanhado de perto pela sociedade mato-grossense, que discute os limites da imprudência no trânsito urbano. Para continuar bem informado sobre os desdobramentos deste e de outros casos relevantes em Mato Grosso, siga acompanhando o Play Notícias News, seu portal de compromisso com a informação precisa e contextualizada.
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