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Alta nos preços do milho sustenta lucratividade de produtores na safra 2025/26

Alta nos preços do milho garante margem de 36,5% aos produtores na safra 2025/26. Entenda como clima e janela de plantio definem o lucro no campo.

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  • A rentabilidade do produtor de milho na safra 2025/26 manteve-se estável, revelando uma dependência crescente das oscilações de mercado em detrimento dos…
  • Dados da consultoria Aegro Insights indicam que a mediana da margem financeira atingiu 36,5% nesta temporada, um patamar muito próximo aos 36,2%…
  • O cenário reforça que, apesar das variações climáticas e operacionais, foi a valorização do cereal que garantiu o equilíbrio das contas no…
Alta nos preços do milho sustenta lucratividade de produtores na safra 2025/26
Plantação de milho

A rentabilidade do produtor de milho na safra 2025/26 manteve-se estável, revelando uma dependência crescente das oscilações de mercado em detrimento dos ganhos de produtividade nas lavouras. Dados da consultoria Aegro Insights indicam que a mediana da margem financeira atingiu 36,5% nesta temporada, um patamar muito próximo aos 36,2% registrados no ciclo anterior. O cenário reforça que, apesar das variações climáticas e operacionais, foi a valorização do cereal que garantiu o equilíbrio das contas no campo.

O levantamento, que analisou fazendas de sequeiro em seis estados — Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo —, aponta que o resultado financeiro por hectare subiu de R$ 2.025 para R$ 2.214. Contudo, Mathias Bergamin, coordenador de inteligência de mercado da Aegro, ressalta que esse avanço nominal é ilusório. Ao isolar as mesmas propriedades presentes nos dois rankings, a diferença real de lucro foi de apenas R$ 90 por hectare, evidenciando que o setor opera com margens pressionadas.

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O papel decisivo da janela de plantio

A pesquisa destaca que a produtividade das lavouras não acompanhou o otimismo dos preços de venda. A mediana da produtividade na safra atual foi de 109,5 sacas por hectare, contra 111,1 sacas na temporada anterior. Em um recorte comparativo entre as mesmas propriedades, a queda foi ainda mais acentuada, chegando a 5 sacas a menos por hectare, com apenas 44% das fazendas conseguindo superar os índices de colheita do ano passado.

Diante desse quadro, a estratégia de manejo tornou-se o diferencial competitivo. O estudo confirma que a antecipação do plantio é o fator que mais impacta o rendimento final. Aqueles que conseguiram semear até 15 de fevereiro obtiveram entre 15 e 25 sacas por hectare a mais do que os produtores que postergaram o cultivo. Essa janela de plantio, altamente influenciada pelo calendário da soja, é apontada como a principal alavanca para a lucratividade futura.

Impacto do clima e custos operacionais

Embora o volume total de chuvas entre fevereiro e maio de 2026 tenha sido superior ao da temporada anterior — 496 mm contra 406 mm —, a distribuição irregular das precipitações prejudicou o desempenho em regiões específicas. Enquanto o Paraná e São Paulo desfrutaram de um mês de maio mais úmido, a interrupção precoce das chuvas em abril afetou severamente as lavouras de Goiás e Minas Gerais, onde a produtividade caiu justamente nas áreas mais impactadas pelo estresse hídrico.

No campo dos custos, o cenário de estabilidade predominou. O custo operacional efetivo, que exclui arrendamento e depreciação, manteve-se em R$ 3.682 por hectare, com uma variação mínima de 0,9%. O investimento em insumos apresentou comportamentos distintos: enquanto o fertilizante, principal item de custo, permaneceu estável em R$ 1.211 por hectare, houve elevações nos gastos com defensivos e sementes, que subiram para R$ 707 e R$ 786 por hectare, respectivamente.

Destaques regionais e perspectivas

O Paraná destacou-se no ranking nacional, alcançando uma lucratividade de 43,1% e um resultado de R$ 2.996 por hectare, impulsionado por uma alta de 5,3% no preço do milho e uma gestão de custos eficiente. Mato Grosso do Sul ocupou a segunda posição, com margem de 40,4%. Já o Mato Grosso, apesar de ostentar a maior produtividade do levantamento, com 125,9 sacas por hectare, viu seu lucro ser limitado por um preço de venda inferior e pelo aumento nos custos operacionais.

O planejamento para a próxima safra, 2026/27, já exige atenção redobrada. Segundo Bergamin, o sucesso financeiro dependerá menos do calendário fixo e mais da tomada de decisão estratégica sobre o plantio da soja, que dita o início da semeadura do milho safrinha. Para o produtor, o desafio será equilibrar a janela ideal de cultivo com as incertezas climáticas, buscando proteger a margem financeira em um mercado global cada vez mais volátil. Acompanhe mais análises sobre o agronegócio no Play Notícias News, onde mantemos nosso compromisso com a informação precisa e o contexto necessário para entender os rumos da economia brasileira.

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