O mercado brasileiro de milho atravessa um momento de cautela e ajustes negativos, fortemente influenciado pela conjuntura internacional. O contrato de dezembro do cereal encerrou a última semana com uma queda expressiva de 3,42% na Bolsa de Chicago, movimento que encontrou eco imediato na B3. O vencimento de novembro na bolsa brasileira fechou cotado a R$ 68,70 por saca, representando uma desvalorização de 4,10% no período.
No cenário físico, a tendência de recuo também se consolidou. No Triângulo Mineiro, uma das regiões de referência para o escoamento e consumo interno, as cotações encerraram a semana na casa dos R$ 64,57 por saca. Esse cenário reflete um desequilíbrio entre a oferta disponível e a dinâmica de exportação, que perdeu fôlego nas últimas semanas.
Competitividade e oferta interna
A perda de espaço do milho brasileiro no mercado global é um dos fatores centrais para a pressão sobre os preços. Com a cotação em Chicago em patamares reduzidos, aliada a um real mais forte e prêmios de exportação enfraquecidos, o produto nacional tornou-se menos competitivo. Em diversos destinos internacionais, o milho norte-americano tem chegado com preços mais atrativos, o que resulta em um excedente de oferta no mercado doméstico.
Internamente, os compradores demonstram estar bem abastecidos e operam com maior tranquilidade, sem a necessidade de realizar compras urgentes. Por outro lado, os produtores têm aceitado condições mais flexíveis de preço e prazo para garantir a liquidez. Embora a demanda vinda das usinas de etanol de milho e do setor de proteína animal permaneça firme, a tendência de curto prazo aponta para a continuidade da pressão sobre os valores.
Expectativas para a safra 2026/27
O setor aguarda com atenção o primeiro levantamento da safra 2026/27, que será divulgado pela Conab. O relatório trará as estimativas iniciais para o milho verão e para a segunda safra, esta última beneficiada pelo ritmo acelerado do plantio da soja, que abre uma janela mais favorável para o cultivo subsequente.
Apesar da janela otimista, o fator climático permanece como um ponto de incerteza. Regiões como o noroeste de Mato Grosso ainda aguardam chuvas mais consistentes, e modelos meteorológicos indicam precipitações abaixo da média para partes do país entre dezembro e o verão. Esse cenário de risco climático pode, futuramente, atuar como um suporte para os preços, caso as condições de umidade se mostrem insuficientes para o desenvolvimento das lavouras.
Influência do USDA e cenário macroeconômico
O mercado global segue reagindo aos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que surpreendeu ao elevar as estimativas de produtividade e estoques norte-americanos. Embora o viés de curto prazo seja negativo, parte dos analistas mantém o ceticismo quanto a esses números, apostando em revisões para baixo em relatórios futuros. A retenção do grão pelos produtores dos EUA também é um fator que pode limitar quedas mais acentuadas.
No Brasil, a volatilidade cambial permanece como o principal motor de oscilação. Com o segundo turno das eleições presidenciais marcado para 25 de outubro, o mercado reage a cada nova pesquisa eleitoral, impactando diretamente o dólar. Somado a isso, a divulgação do índice de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos, prevista para o dia 14, deve ditar o ritmo da moeda norte-americana globalmente, influenciando as decisões de exportadores e importadores.
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