Repercussão do cenário eleitoral nos mercados
O mercado financeiro brasileiro atravessa um momento de intensa volatilidade, diretamente impactado pelos desdobramentos do pleito eleitoral. Os contratos de minidólar (WDOX26), com vencimento em novembro, encerraram a última sessão em forte queda de 4,39%, cotados a 5.026 pontos. Esse movimento acompanhou a desvalorização do dólar à vista, que recuou 4,12%, atingindo R$ 5,0022, na maior baixa diária registrada desde 2018.
A pressão vendedora sobre a moeda norte-americana foi desencadeada pelo resultado do primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, superando os 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva. O cenário, que divergiu das projeções da maioria das pesquisas eleitorais, provocou uma rápida reprecificação dos ativos domésticos. Além do câmbio, o mercado observou uma queda expressiva nos juros futuros de longo prazo, da ordem de 130 pontos-base, enquanto o Ibovespa reagiu com uma valorização superior a 7%.
Dinâmica técnica e o suporte psicológico de 5.000 pontos
Para os operadores de mercado, a atenção agora se volta para a sustentação do chamado “trade eleitoral” e as expectativas fiscais que permearão o segundo turno, agendado para 25 de outubro. A marca de R$ 5,00 tornou-se a referência imediata para o câmbio. Caso a pressão vendedora persista, analistas apontam que o ativo pode buscar patamares entre R$ 4,90 e R$ 4,80.
No gráfico de 15 minutos, a análise técnica revela um domínio claro do fluxo vendedor, apesar de uma tentativa de recuperação no final do pregão. O contrato chegou a fechar acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, mas o movimento ainda não configura uma reversão de tendência. Para que a baixa ganhe fôlego, o mercado monitora a perda do suporte na faixa de 5.000 a 4.978,5 pontos. Caso esse patamar seja rompido, o caminho fica aberto para níveis de 4.961,5 e 4.939,5 pontos.
Perspectivas para o curto e médio prazo
No gráfico diário, a estrutura técnica apresenta sinais de deterioração, com o rompimento de médias móveis importantes e a presença de volume vendedor elevado. O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos recuou para 32,25 pontos, indicando uma aproximação da zona de sobrevenda. Embora essa condição técnica possa favorecer um repique corretivo, a ausência de sinais gráficos de reversão mantém a cautela entre os investidores.
Já no gráfico de 60 minutos, o minidólar mantém-se abaixo das médias móveis, evidenciando a força do movimento de queda recente. A retomada de uma trajetória de alta dependeria da superação da resistência em 5.034 pontos. Por outro lado, a continuidade da desvalorização exige a perda definitiva do suporte em 4.999,5 pontos, o que poderia levar o ativo a buscar patamares próximos de 4.950 pontos.
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