Justiça define penas para envolvidos no assassinato de Roberto Zampieri
O Tribunal do Júri de Cuiabá encerrou, na madrugada desta sexta-feira (2), o julgamento de três homens acusados de participação direta no assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023. Os promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva, que representaram o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), classificaram a decisão como uma resposta adequada à sociedade, embora não descartem a possibilidade de recorrer em relação à dosimetria das penas aplicadas.
Os réus Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foram condenados por homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras incluíram motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e o emprego de arma de fogo de uso restrito. O juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, fixou penas que variam entre 21 e 25 anos de reclusão para os envolvidos.
A tese da acusação e o desfecho do julgamento
Para o promotor Samuel Frungilo, o veredito dos jurados refletiu a robustez das provas apresentadas durante a instrução processual. “Os jurados compreenderam as provas nos autos e acolheram na íntegra o pedido do Ministério Público. Foi uma decisão justa e de acordo com o que foi produzido ao longo do processo”, afirmou o representante do órgão ministerial logo após a leitura da sentença.
O Ministério Público destacou que as teses defensivas, que incluíam alegações de negativa de autoria e inimputabilidade, foram integralmente rejeitadas pelo Conselho de Sentença. A dosimetria das penas variou conforme as condições individuais dos réus: Antônio Gomes da Silva, executor direto, teve reconhecida a atenuante da confissão, enquanto Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas foi beneficiado pela atenuante de idade avançada. Hedilerson Fialho Martins Barbosa, por sua vez, recebeu a pena mais severa, de 25 anos.
Disputa por terras e motivação do crime
O crime, que chocou o meio jurídico mato-grossense, teve como pano de fundo uma complexa disputa judicial pela posse da Fazenda Lagoa Azul, avaliada em R$ 100 milhões e situada em Paranatinga. Segundo a denúncia do MPMT, o casal Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo teria orquestrado o homicídio após suspeitar que o advogado possuía influência indevida sobre decisões judiciais que lhes eram desfavoráveis.
A investigação revelou que o casal contratou uma organização criminosa liderada por Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, coronel da reserva do Exército, para executar o plano. O pagamento total pelo serviço teria atingido R$ 184.250,00, transferidos de forma fracionada para uma empresa administrada por Caçadini. O executor, Antônio Gomes da Silva, teria utilizado de artifícios, como o disfarce de capelão, para se aproximar da vítima antes de efetuar os disparos fatais em frente ao escritório de Zampieri, no bairro Bosque da Saúde.
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