A menopausa não deve ser tratada como um momento passageiro ou um breve evento na trajetória feminina. Essa avaliação foi o ponto central de um debate recente conduzido pela ginecologista Erica Mantelli no programa Na Palma da Mari – Entre Mulheres, onde conversou com a influenciadora Drica Divina sobre os impactos físicos e emocionais dessa transição na rotina das mulheres.
Considerando que a média de entrada na menopausa ocorre por volta dos 50 anos e que a expectativa de vida da mulher brasileira alcança aproximadamente 80 anos, a especialista aponta que cerca de um terço da existência feminina transcorre nessa condição. A constatação reforça que o período exige planejamento, acolhimento e acompanhamento médico contínuo, rompendo com a visão de que se trata de um problema pontual.
Tabus, resistência e o medo do envelhecimento
Durante a conversa no programa, as participantes abordaram a relutância cultural que muitas mulheres enfrentam ao encarar o envelhecimento e as alterações hormonais. Esse receio muitas vezes afasta o público até mesmo de conversas abertas sobre a perimenopausa ou sobre alternativas de reposição hormonal, alimentado por estigmas sociais arraigados.
Erica Mantelli enfatizou que a qualidade de vida nessa etapa depende diretamente do acesso à informação correta e de suporte especializado. Segundo a médica, experiências traumáticas ou relatos negativos associados à menopausa decorrem, na maioria das vezes, da ausência de assistência adequada por parte dos profissionais de saúde.
Desinformação na medicina e impacto dos sintomas
Outro ponto crítico levantado no bate-papo foi a falta de preparo e clareza sobre o tema mesmo dentro da própria classe médica. Pacientes que buscam auxílio para queixas frequentes, como queda na libido e desconforto nas relações, relatam terem recebido orientações superficiais ou ultrapassadas. Manifestações físicas marcantes, como os conhecidos fogachos, merecem atenção redobrada por exigirem acompanhamento e gerarem reflexos cardiovasculares.
Além do suporte clínico, o diálogo destacou a relevância de envolver os parceiros nas consultas e decisões dessa fase. A presença do cônjuge ajuda a desmistificar estigmas, mostrando que as transformações hormonais não se tratam de caprichos, mas de processos biológicos que demandam compreensão mútua e rede de apoio afetivo sólido.
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