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Uma operação policial de larga escala em Nova Délhi resultou na detenção de mais de 2 mil manifestantes neste sábado (10), em um esforço coordenado das forças de segurança para sufocar um protesto convocado pelo movimento juvenil conhecido como “das baratas”. O grupo, que ganhou visibilidade por sua postura crítica, planejava uma mobilização em Jantar Mantar para exigir a renúncia do comissário-chefe da Comissão Eleitoral da Índia, Gyanesh Kumar.
O clima na capital indiana foi de isolamento. Para impedir a chegada dos manifestantes, as autoridades suspenderam serviços de internet móvel no centro financeiro, fecharam dezenas de estações de metrô e restringiram o acesso a mercados importantes. Relatos de testemunhas indicam que a polícia realizou abordagens rigorosas em ônibus e veículos particulares nos pontos de entrada da cidade, em uma tentativa de identificar e interceptar integrantes do movimento antes que chegassem ao local do ato.
A origem do conflito e a desconfiança nas urnas
O epicentro da crise reside em acusações de manipulação no sistema eleitoral. O movimento, liderado por figuras como Abhijeet Dipke, sustenta que a Comissão Eleitoral promoveu revisões nas listas de eleitores que favorecem de maneira desproporcional o Bharatiya Janata Party (BJP), partido do primeiro-ministro Narendra Modi. A tensão escalou no último mês após reportagens do jornal Indian Express revelarem que adjuntos do chefe eleitoral teriam registrado preocupações formais em pelo menos 14 ocasiões nos últimos 10 meses, citando irregularidades em registros e sistemas digitais.
Tanto a Comissão Eleitoral quanto o governo federal negam veementemente qualquer irregularidade, classificando as alegações como infundadas. O CJP (Partido Cockroach Janta) descreveu a ação policial deste sábado como uma “detenção autoritária” e uma manobra premeditada para desarticular a liderança do grupo. O fundador do movimento, Abhijeet Dipke, junto aos líderes Saurav Das e Ashutosh Ranka, foi detido logo após desembarcar de um voo vindo de Mumbai, evidenciando o monitoramento constante das autoridades sobre os organizadores.
Impacto na liberdade de imprensa e na sociedade civil
A repressão não se limitou aos manifestantes do movimento juvenil. Relatos apontam que a polícia deteve quatro repórteres de meios de comunicação digitais que cobriam o evento, gerando preocupações sobre a liberdade de imprensa no país. Além disso, advogados que protestavam pacificamente em frente ao Supremo Tribunal também foram levados pelas forças de segurança, conforme denunciado pela Ordem dos Advogados local.
Em Mumbai, o cenário foi semelhante, com cerca de 400 pessoas detidas. A mobilização das forças paramilitares e a suspensão de serviços essenciais de comunicação em uma metrópole de 20 milhões de habitantes demonstram a sensibilidade do governo diante de qualquer questionamento sobre a integridade do processo democrático indiano. Até o momento, não houve um posicionamento oficial detalhado da polícia sobre os critérios utilizados para as detenções em massa.
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