O recente pleito eleitoral em Mato Grosso trouxe uma configuração distinta para a Assembleia Legislativa, marcada por mudanças significativas no perfil dos representantes e pela queda de figuras que, por décadas, ditaram o ritmo da política estadual. Enquanto alguns nomes consolidaram sua permanência, outros enfrentaram o desgaste das urnas, evidenciando uma mudança clara na preferência do eleitorado mato-grossense.
A permanência de Dilmar Dal Bosco e o cenário em Sinop
Em Sinop, cidade estratégica do Nortão, o deputado Dilmar Dal Bosco (União) garantiu a renovação de seu mandato, alcançando a marca de cinco legislaturas consecutivas com 56.294 votos. Apesar da vitória expressiva, o parlamentar enfrentou uma disputa interna acirrada no município, terminando em quarto lugar na preferência local, atrás de nomes como o sargento Casarim, que obteve 9.936 votos na cidade.
O resultado em Sinop reflete uma fragmentação do voto regional. Candidatos como Adenilson Rocha, que somou 10.152 votos, e Silvano Amaral, com 7.696, não lograram êxito na busca por uma cadeira no Legislativo estadual. A performance de Casarim, que alcançou a segunda suplência pelo Podemos com 19.823 votos totais, consolidou-se como uma das surpresas do pleito na região.
O declínio do clã Riva e a mudança de paradigma
Um dos pontos mais comentados do cenário político atual é o fim de um ciclo de três décadas de influência do clã Riva. A trajetória, que teve José Riva como protagonista por 20 anos na Assembleia, viu sua sucessora, Janaina Riva, encerrar seu terceiro mandato após uma tentativa frustrada ao Senado. A derrota da deputada e de sua irmã, Jéssica Riva, é interpretada por analistas como um sinal de exaustão do modelo político que o grupo representava.
A estratégia de campanha, que incluiu alianças controversas e mudanças de discurso, foi alvo de críticas intensas nas redes sociais e entre observadores da política local. O resultado nas urnas, descrito por muitos como um baque, coloca um ponto final — ao menos temporário — na hegemonia da família no Legislativo mato-grossense, forçando uma reconfiguração das forças políticas que orbitavam o grupo.
Desafios regionais: Sorriso e Cáceres fora do mapa
A dispersão de votos também custou caro a polos econômicos importantes. Em Sorriso, capital nacional do agronegócio, a pulverização de candidaturas impediu que a cidade elegesse um representante para a Assembleia Legislativa. Com sete pré-candidatos na disputa, os nomes mais competitivos, como o ex-prefeito Ari Lafin, que obteve 29.404 votos, e o ex-deputado Mauro Savi, com 15.663, acabaram na suplência.
Situação semelhante ocorreu em Cáceres, que, apesar de ser polo de uma região com mais de 250 mil eleitores, viu seus candidatos, como o ex-prefeito Túlio Fontes, registrarem votações insuficientes. A falha em eleger representantes locais é atribuída, em parte, à falta de unidade partidária e à fragmentação das lideranças regionais, que acabam perdendo espaço para candidatos de outras localidades, como Pontes e Lacerda.
Repercussão e expectativas para o futuro
O cenário pós-eleitoral também foi marcado pela queda de votação de nomes tradicionais, como Gilberto Figueiredo, que viu seu desempenho minguar em comparação a 2022, e Zé do Patio, que registrou sua menor votação histórica para o Legislativo. A insatisfação popular, muitas vezes manifestada em debates sobre corrupção e eficiência na gestão pública, parece ter sido o motor da renovação observada nas urnas.
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