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Cenário legislativo: o impacto de um Congresso mais à direita para um eventual governo Flávio

Entenda como a nova composição do Congresso em 2027 pode influenciar um eventual governo de Flávio Bolsonaro e a relação com o STF.

Cenário legislativo: o impacto de um Congresso mais à direita para um eventual governo Flávio
Carlos Moura / Agência Senado

STF e a pauta de mudanças institucionais

O impacto mais imediato dessa nova configuração deve ser sentido na relação entre o Poder Executivo e o Supremo Tribunal Federal (STF). O Senado detém a prerrogativa constitucional de sabatinar e aprovar indicações para a Corte, um processo que exige maioria absoluta de 41 votos. Com 49 senadores alinhados ao campo da direita, um eventual governo Flávio teria, em tese, um ambiente mais favorável para confirmar nomes que compartilhem de suas visões jurídicas e políticas.

Além das nomeações, o grupo articula propostas para alterar o funcionamento do Judiciário. Segundo informações da Folha de S.Paulo, parlamentares discutem a viabilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retiraria do STF parte dos processos criminais envolvendo autoridades, além de limitar decisões monocráticas e estabelecer novas regras para o foro privilegiado. Como o quórum para aprovar uma PEC é de 3/5 da Casa, o bloco de 49 senadores alcança o limite mínimo necessário, embora o desafio maior resida na tramitação posterior na Câmara, que exige 308 votos.

Limites para o impeachment e a dependência do Centrão

Apesar do crescimento da direita, a destituição de ministros do Supremo, pauta defendida por parte da base bolsonarista, permanece um cenário complexo. A condenação em um processo de impeachment exige o apoio de 54 senadores. Mesmo com a coesão total do bloco de direita, ainda seriam necessários votos adicionais de outros campos políticos, o que torna a medida um obstáculo institucional de difícil transposição sem amplas alianças.

Na Câmara, a situação é similar. Os 121 deputados do PL, embora representem uma bancada robusta, estão longe dos 257 necessários para a maioria absoluta ou dos 308 para aprovar emendas constitucionais. A governabilidade continuará dependendo de siglas como Republicanos, PP, União Brasil, PSD e MDB. O controle orçamentário, com o alto volume de emendas parlamentares, reforça o poder de barganha desses partidos, mantendo a necessidade de uma articulação política pragmática para viabilizar qualquer agenda de reformas ou projetos estruturantes.

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