O recente processo eleitoral em Mato Grosso consolidou uma tendência de renovação e o desgaste de nomes tradicionais da política estadual. Entre os ex-deputados estaduais que buscaram retornar à Assembleia Legislativa, a maioria enfrentou o veto das urnas, evidenciando uma mudança no perfil do eleitorado e a dificuldade de figuras consagradas em manter seus redutos eleitorais. Apenas Ulysses Moraes, do Podemos, logrou êxito, alcançando 56.207 votos, um salto expressivo em relação aos 18.721 registrados em sua primeira vitória, em 2018.
Desempenho abaixo das expectativas para nomes históricos
A lista de insucessos inclui figuras que ocuparam cadeiras no Legislativo por longos períodos. Zé do Patrão, com um histórico de 20 anos na Assembleia, registrou sua votação mais baixa ao obter 15.353 votos pelo PV, terminando como primeiro-suplente da federação PT/PV/PCdoB. O cenário foi semelhante para outros veteranos: Mauro Savi, ex-presidente da Casa, somou 15.663 votos; Allan Kardec atingiu 15.368; e Gilmar Fabris contabilizou 15.541. Esses números refletem um distanciamento entre o eleitor e as lideranças que, historicamente, dominavam o debate político regional.
O fim de um ciclo para o clã Riva
Um dos pontos de maior atenção foi o desempenho da família Riva. Após três décadas de influência ininterrupta, o grupo político viu suas pretensões serem frustradas. José Riva, que ditou os rumos da Assembleia por 20 anos, viu sua filha, a deputada Janaina Riva, encerrar o terceiro mandato sem sucesso na disputa ao Senado. A tentativa de eleger Jéssica Riva também não prosperou, marcando um momento de isolamento político para o clã. A análise de especialistas aponta que a estratégia de ampliar a influência, aliada a falhas na articulação e no atendimento ao eleitor, contribuiu para o resultado negativo nas urnas.
Desafios regionais em Sorriso e Cáceres
A fragmentação de candidaturas também prejudicou polos importantes do estado. Em Sorriso, cidade de destaque no agronegócio, a pulverização de sete pré-candidatos resultou na ausência de representantes na Assembleia. O ex-prefeito Ari Lafin, mesmo com apoio da máquina pública e setores do agro, terminou como segundo-suplente. Em Cáceres, a situação se repetiu: o ex-prefeito Túlio Fontes e o ex-vereador Marcinho Lacerda, ambos do MDB, obtiveram votações inexpressivas, deixando a região sem um representante direto no Legislativo estadual, enquanto o eleitorado optou por nomes de outras localidades.
Reconfiguração no cenário federal
Na disputa pela Câmara dos Deputados, o cenário de renovação também se fez presente. Dos sete ex-deputados federais que tentaram o retorno, apenas a professora Rosa Neide, do PT, garantiu sua vaga com 140.351 votos. Nomes como Antero de Barros, Valtenir Pereira, Victório Galli e Neri Geller não alcançaram o quociente eleitoral necessário. O resultado das urnas em Mato Grosso reforçou a força da direita e do segmento conservador, que, segundo analistas, soube capitalizar o sentimento do eleitorado e pautas alinhadas ao bolsonarismo, deixando a esquerda, representada pelo PT, em uma posição de resistência e marcação de território.
O Play Notícias News segue acompanhando os desdobramentos dessa nova configuração política e o impacto das decisões das urnas na governabilidade do estado. Continue conosco para análises aprofundadas sobre os bastidores do poder e os movimentos que definem o futuro de Mato Grosso.
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