MATO GROSSO

Vereador de Jangada minimiza papel de vice-prefeita e gera crise política no município

Vereador de Jangada gera revolta ao afirmar que cargo de vice não vale nada. Marcela Yamashita repudia fala e promete ir à Justiça.

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  • O cenário político de Jangada, município localizado na região metropolitana de Cuiabá, foi sacudido por uma declaração polêmica que ecoou muito além…
  • Após o encerramento do pleito eleitoral de outubro de 2026, o que deveria ser um período de transição e análise de resultados…
  • O protagonista do episódio foi o vereador Abilio Antunes da Costa Neto, o Neto da Raizama (PSD), cujas palavras direcionadas à vice-prefeita…
Vereador de Jangada minimiza papel de vice-prefeita e gera crise política no município
Reprodução / rdnews.com.br

O cenário político de Jangada, município localizado na região metropolitana de Cuiabá, foi sacudido por uma declaração polêmica que ecoou muito além das paredes da Câmara Municipal. Após o encerramento do pleito eleitoral de outubro de 2026, o que deveria ser um período de transição e análise de resultados transformou-se em um embate direto entre os poderes Legislativo e Executivo local. O protagonista do episódio foi o vereador Abilio Antunes da Costa Neto, o Neto da Raizama (PSD), cujas palavras direcionadas à vice-prefeita Marcela Yamashita (Podemos) geraram uma onda de indignação e promessas de judicialização.

O embate na tribuna e a desvalorização do cargo executivo

Durante a sessão ordinária realizada na última quinta-feira, 8 de outubro, o vereador Neto da Raizama utilizou seu tempo de fala para comentar o desempenho dos candidatos apoiados por diferentes grupos políticos da cidade nas eleições estaduais. O clima, que já era de tensão devido à derrota de seu aliado direto, o ex-deputado Gilmar Fabris (PSD), escalou rapidamente quando o parlamentar decidiu focar sua retórica na figura da vice-prefeita.

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Ao parabenizar os colegas Benys (MDB) e Carlão de Fio (PP) pelo empenho na campanha de Max Russi (Podemos), que logrou êxito em sua reeleição para a Assembleia Legislativa, Neto tentou isolar a participação de Marcela no processo. Em uma frase que rapidamente viralizou nos grupos de política regional, o vereador disparou: “Estão falando que é só a Marcela, que Marcela nenhum? Eu vi o engajamento de Benys e Carlão. Ela faz parte do grupo, mas vocês que têm voto, que têm mandato, e vice não é nada, pelo que eu sei. Vice continua sendo vice”.

A declaração foi interpretada não apenas como um ataque pessoal, mas como um questionamento institucional à legitimidade do cargo de vice-prefeito, função essencial na linha sucessória e na composição das chapas majoritárias. O tom utilizado pelo parlamentar sugeriu que, por não possuir um “mandato próprio” nos mesmos moldes de um vereador ou deputado, a vice-prefeita careceria de relevância política nas articulações locais.

Divergências eleitorais e o peso dos votos em Jangada

Para entender a raiz do conflito, é preciso observar o mapa de votação da cidade. Embora Gilmar Fabris tenha sido o candidato mais votado em Jangada, ele não conseguiu assegurar uma cadeira no Legislativo estadual, o que gerou frustração em sua base de apoio local. Por outro lado, Max Russi, apoiado por Marcela Yamashita, consolidou sua vitória e garantiu mais um mandato, fortalecendo o capital político da vice-prefeita na região.

A resposta de Marcela não tardou. Através de suas redes sociais, ela classificou a atitude do vereador como “covarde e desnecessária”. A vice-prefeita destacou que o ataque transcende a esfera política, atingindo sua dignidade pessoal e sua condição de mulher em um espaço historicamente dominado por homens. Segundo ela, o reconhecimento dos votos obtidos por seu grupo é fruto de um trabalho coletivo e de confiança da população, algo que não pode ser apagado por retóricas de plenário.

O episódio levanta um debate recorrente na política brasileira: a violência política de gênero. Especialistas apontam que falas que visam deslegitimar a autoridade de mulheres em cargos de poder são formas sutis, mas eficazes, de desencorajar a participação feminina na vida pública. Marcela Yamashita reiterou que não aceitará ser menosprezada e que o departamento jurídico já está analisando as gravações da sessão para as providências cabíveis.

Repercussão e os próximos passos no Legislativo

A fala de Neto da Raizama colocou a Câmara de Jangada sob os holofotes. Enquanto alguns aliados tentam minimizar o ocorrido como um “momento de exaltação pós-eleitoral”, outros setores da sociedade civil e movimentos de defesa dos direitos das mulheres exigem um posicionamento oficial da Casa de Leis. A manutenção do respeito institucional entre os poderes é um dos pilares da democracia, e ataques diretos a membros do Executivo podem configurar quebra de decoro parlamentar.

O desdobramento deste caso poderá ser acompanhado nos próximos dias, com a possível abertura de processos administrativos ou judiciais. A situação em Jangada serve como um termômetro para a política mato-grossense, evidenciando como as disputas por espaço e reconhecimento podem transbordar para o campo das ofensas pessoais quando os resultados das urnas não favorecem todos os lados envolvidos.

Para mais detalhes sobre os resultados oficiais e o desempenho dos candidatos em todo o estado, você pode consultar o portal do Tribunal Superior Eleitoral, que oferece o detalhamento completo das votações por município.

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