O impacto da safra recorde no mercado de Chicago
Os contratos futuros da soja negociados nos Estados Unidos registraram, nesta quinta-feira (15), o quarto dia consecutivo de desvalorização. O movimento levou a commodity ao seu menor patamar de preço das últimas sete semanas. O cenário é impulsionado principalmente pela expectativa de uma safra recorde no país, que tem superado o otimismo gerado pela retomada da demanda chinesa.
A pressão sobre os preços ocorre em um momento em que a colheita avança de forma acelerada no Meio-Oeste norte-americano. Embora chuvas pontuais tenham retardado os trabalhos no campo na região oeste, o padrão climático favorável das últimas semanas permitiu que os produtores priorizassem a soja em relação ao milho. Para os próximos dias, meteorologistas preveem um clima mais seco, o que deve manter o ritmo intenso de oferta no mercado.
Demanda chinesa e o desafio das expectativas
Apesar de o mercado observar com atenção as movimentações da China — o maior importador mundial da oleaginosa —, o volume de compras não tem sido suficiente para sustentar os preços. Dados recentes indicam que o país asiático cumpriu apenas metade do compromisso de aquisição de 25 milhões de toneladas anuais, conforme acordado em negociações comerciais.
Analistas do setor, como Brodrick Schmidt, da US Commodities, ponderam que, embora a presença chinesa seja positiva, o volume atual ainda está aquém do necessário para equilibrar a balança comercial. A frustração com o ritmo de compras, somada a um relatório da Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas que apontou uma moagem doméstica abaixo das expectativas, reforçou o sentimento de baixa entre os operadores da bolsa de Chicago (CBOT).
Reflexos no milho e no trigo
O efeito cascata da soja também atingiu outros grãos. O milho, com vencimento em dezembro, recuou para US$ 4,78 o bushel, mantendo-se em uma faixa de negociação estreita. O mercado de milho ainda reage aos impactos de uma perspectiva de safra inesperadamente grande, divulgada anteriormente pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Já o trigo, que chegou a encontrar suporte inicial devido a preocupações com o transporte marítimo no Mar Negro, perdeu força ao longo do dia. O contrato de referência fechou em queda, a US$ 6,70 o bushel, pressionado por vendas técnicas e pela influência indireta do desempenho negativo dos outros grãos. O ativo não conseguiu se sustentar acima de sua média móvel de 100 dias, frustrando as expectativas de uma recuperação técnica.
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