6×1: CEO do Rei do Mate prevê que lojas serão afetadas – 15/08/2026 – Painel S.A.
Antônio Carlos Nasraui comanda o Rei do Mate, empresa criada pelo seu pai no centro de São Paulo e que hoje é um dos principais nomes do food service brasileiro. A marca, com cerca de 300 lojas, teve crescimento de 7% no faturamento de 7% 1º semestre deste ano. Os tíquetes aumentaram em quantidade (avanço de 9%) e valor (acréscimo de 7% no valor médio).
No entanto, o executivo enxerga desafios para o crescimento do varejo no país, entre eles a reforma tributária e o possível fim da escala 6×1 de trabalho. O cenário, para o executivo, é de pessimismo com o país.
O mercado de food service e cafeterias está pressionado? Demais. Não só food service, mas cafeterias e restaurantes também. Com mão de obra, com tudo. O varejo está em um momento muito delicado. Os juros não vão cair, porque não há dinheiro de fora entrando [no Brasil]. Todo mundo está fugindo.
Como o Rei do Mate consegue continuar crescendo nesse cenário? Conseguimos juntar bons parceiros, tanto entre fornecedores quanto entre franqueados. Estamos de olho em oportunidades de mercado, incluindo a possibilidade de trazer outras marcas para o grupo, desde que estejam no mesmo segmento em que atuamos. Temos história e ligação com o público brasileiro.
O que o Rei do Mate entende sobre o cliente nacional? Quando a Starbucks chegou ao Brasil, o Howard Schultz [ex-CEO da rede norte-americana] não sabia o que era açaí nem coxinha. São grandes players, com produtos de qualidade e lojas bacanas, mas a gente sabe o que o brasileiro gosta. Trabalhamos há 30 anos com pão de queijo, por exemplo. O seu [Juan] Valdéz [marca colombiana de café que abriu a 1ª loja no país] não sabe nem o que é pão de queijo, mas vai ter que aprender se quiser fazer sucesso no Brasil.
Como a reforma tributária deve impactar o Rei do Mate e todo o varejo? Será mais um empurrão do varejo para o abismo. Muita gente não tem estrutura, não tem mais para onde correr, não suporta mais aumento de custo e imposto. Não existe elasticidade para repassar preço ao consumidor, pelo contrário, a briga é para entregar mais cobrando um preço justo. O cliente está endividado e não tem mais margem para absorver aumentos. O mercado vai ter que se nivelar. É uma preocupação para todo o setor e mesmo uma empresa grande e formalizada como o Rei do Mate sentirá impacto nas lojas. Para a maioria do pequeno varejo, ainda não caiu a ficha do que vem por aí. A reforma pode gerar mais informalidade, com gente deixando de emitir nota porque não vai ter para onde correr. Com a logística difícil no Brasil e a diferença de impostos entre estados, e agora com a reforma tributária, é uma arte conseguir trazer produto de qualidade e manter um preço justo para um público que está, em boa parte, endividado.
Como o possível fim da escala 6×1 afeta o Rei do Mate e o setor? Lojas menores do que nós serão muito afetadas. É um direito da pessoa querer ficar mais tempo com a família, mas ela também não pode ser proibida de escolher trabalhar mais. A ideia de trabalhar menos por igual remuneração é uma pauta extremamente popular. É fácil dizer que se quer isso, da mesma forma que uma criança sempre vai preferir ir menos vezes à escola. Mas isso mexe muito com o mercado, num momento em que o varejo já enfrenta falências, recuperações judiciais e concordatas. Se o custo aumentar, vai haver repasse de preço, e o consumidor, hoje endividado, não tem mais elasticidade para absorver isso.
A empresa deve continuar na família? Lógico.
O Rei do Mate completa 48 anos. Como continuar inovando? A gente precisa se reinventar de manhã e à tarde, a cada período. Antes eu brincava que precisávamos nos reinventar a cada semana. Já não é suficiente. Lançamos produtos proteicos no início do ano, achando que seríamos disruptivos, mas em poucos meses todo mundo entrou nesse mercado, porque as informações circulam muito rápido hoje.
Raio-X
Antônio Carlos Nasraui, 60
São Paulo, 1966
É formado em Direito pela FMU e em Economia pela PUC-SP. É filho de Kalil Antonio Nasraui, fundador do Rei do Mate e dedicou-se integralmente à empresa. Em 1992, liderou a entrada do Rei do Mate no sistema de franqueamento, movimento que impulsionou a expansão da marca.
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