Por que uma área gelada do Atlântico pode estar ligada ao calor na Europa?


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O enfraquecimento desse sistema favorece a formação de uma extensa região de águas superficiais mais frias cercada por áreas mais quentes. Esse contraste de temperatura pode alterar o comportamento da corrente de jato (jet stream), uma faixa de ventos intensos que circula o Hemisfério Norte.

Segundo um estudo publicado em 2024, quando a corrente de jato desacelera, ela se desvia para o norte e favorece a formação de bloqueios atmosféricos sobre a Europa. Esses sistemas de alta pressão funcionam como uma tampa: impedem a formação de nuvens, dificultam a chegada de frentes frias e permitem que o calor se acumule por vários dias.

A corrente de jato se curva e flui para norte ao redor da Europa, em vez de atravessá-la. Como resultado, forma-se uma cúpula de calor sobre a Europa. Marilena Oltmanns, autora do estudo

Os cientistas ressaltam, porém, que a mancha fria não gera o calor diretamente. Ela aumenta a probabilidade de bloqueios atmosféricos, que criam condições favoráveis para ondas de calor persistentes.

Segundo o oceanógrafo Gerard McCarthy, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, “um Atlântico frio não significa necessariamente uma Europa mais fria”. À AFP, o especialista destacou que o principal fator responsável pelo aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor continua sendo o aquecimento global.

Mulher se protege do sol sob um guarda-chuva enquanto caminha em direção à Torre Eiffel, em Paris, na França, enquanto uma onda de calor recorde atinge parte da Europa
Mulher se protege do sol sob um guarda-chuva enquanto caminha em direção à Torre Eiffel, em Paris, na França, enquanto uma onda de calor recorde atinge parte da Europa Imagem: SIMON WOHLFAHRT / AFP





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