Bloco de Dilemário e Baixinha vira peça-chave e pode decidir futuro político de Paula Calil na Câmara de Cuiabá “Não voto para mudança no Regimento“


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JB News

Por Nayara Cristina

Mesa Diretora: bloco de Dilemário e Baixinha vira peça-chave e pode decidir futuro político de Paula Calil na Câmara de Cuiabá

A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá para o próximo biênio entrou em uma fase decisiva e tem transformado os bastidores do Legislativo em um intenso campo de negociações políticas. Com grupos praticamente equilibrados e sem uma maioria consolidada, o foco das articulações passou a se concentrar em dois vereadores que, neste momento, ocupam uma posição estratégica na corrida pelo comando da Casa: Dilemário Alencar e a vereadora Baixinha Giraldelli.

Os dois parlamentares formaram um bloco independente dentro das discussões sobre a sucessão da atual presidente da Câmara, Paula Calil, e passaram a ser considerados o fiel da balança da eleição. A avaliação de vereadores ouvidos nos bastidores é de que a definição do posicionamento da dupla poderá determinar não apenas quem comandará o Legislativo nos próximos dois anos, mas também o futuro das discussões sobre uma eventual mudança no Regimento Interno da Casa.

O cenário atual mostra uma disputa marcada por números apertados. Nos corredores da Câmara, a conta que circula entre parlamentares aponta que o grupo ligado a Paula Calil reúne entre 11 e 12 vereadores. Caso receba o apoio de Dilemário e Baixinha, a presidente alcançaria 13 ou 14 votos, número suficiente para construir maioria em uma eventual disputa pela Mesa Diretora.

Do outro lado está o vereador Ilde Taques, que voltou a afirmar publicamente que permanece candidato à presidência e assegura contar com 13 votos consolidados. Se o bloco formado por Dilemário e Baixinha optar por caminhar ao lado de Ilde, a composição chegaria a 15 votos, criando uma maioria confortável e impondo uma derrota ao grupo atualmente liderado por Paula Calil.

A matemática política transformou os dois parlamentares em protagonistas involuntários da disputa. Mais do que simples apoiadores, eles passaram a ser vistos como os responsáveis por destravar ou redefinir o rumo das negociações dentro da Casa de Leis.

O fator que amplia ainda mais a tensão entre os grupos é a discussão sobre uma possível alteração do Regimento Interno. A mudança é considerada fundamental pelos aliados da atual presidente para viabilizar politicamente uma eventual candidatura à reeleição. No entanto, tanto Dilemário quanto Baixinha já deixaram claro que não pretendem apoiar qualquer proposta nesse sentido.

Dilemário foi enfático ao afirmar que não teria coerência política defender uma mudança nas regras enquanto disputa a própria presidência da Câmara. Segundo ele, essa posição foi comunicada durante reuniões realizadas com vereadores que participam das articulações internas.

“Eu coloquei muito claro nessa reunião que aconteceu com o grupo dos 12 que eu e a vereadora Baixinha não iríamos votar na mudança do Regimento Interno. Eu sou candidato e, se eu votar nessa mudança, seria uma grande contradição”, afirmou.

Apesar da posição firme, Dilemário também revelou que mantém diálogo aberto com todos os grupos políticos envolvidos na disputa. Segundo ele, as conversas acontecem tanto com vereadores alinhados a Ilde Taques quanto com parlamentares próximos à presidente Paula Calil.

Nos bastidores, a resistência da dupla à alteração das regras é interpretada como um obstáculo importante para os planos da atual presidente. Isso porque a mudança do Regimento Interno não depende de maioria simples. Pelas normas da Câmara de Cuiabá, qualquer alteração regimental exige o apoio de dois terços dos vereadores, o que representa pelo menos 18 votos favoráveis entre os 27 parlamentares da Casa.

É justamente nesse ponto que reside uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo grupo de Paula Calil. Apesar das articulações em andamento, a avaliação predominante entre vereadores é de que a presidente não possui, neste momento, os 18 votos necessários para aprovar a mudança. A posição contrária já manifestada por Dilemário e Baixinha reduz ainda mais a margem de construção dessa maioria qualificada.

Na prática, o bloco formado pelos dois parlamentares passou a ter influência não apenas sobre a eleição da futura Mesa Diretora, mas também sobre a própria possibilidade de alteração das regras do jogo. Sem os votos necessários para modificar o Regimento Interno, cresce entre os vereadores a percepção de que Paula Calil poderá enfrentar sérias dificuldades para viabilizar uma eventual candidatura à reeleição.

A situação criou uma espécie de disputa paralela dentro do Legislativo. De um lado, os grupos trabalham para construir maioria na eleição da Mesa Diretora. De outro, ocorre uma corrida silenciosa em busca dos 18 votos exigidos para uma eventual mudança regimental. E, em ambos os cenários, Dilemário e Baixinha aparecem como peças centrais do tabuleiro político.

Enquanto isso, vereadores seguem em reuniões reservadas, negociações individuais e articulações de grupo na tentativa de consolidar apoios. Com a eleição se aproximando e os números ainda indefinidos, a tendência é que a queda de braço entre os blocos se intensifique nas próximas semanas.

Hoje, mais do que uma simples disputa pela presidência da Câmara, o que está em jogo é a definição dos rumos políticos do Legislativo cuiabano. E no centro dessa batalha estão dois vereadores que, mesmo sem liderar os maiores grupos da Casa, podem acabar decidindo quem comandará o Parlamento municipal e se haverá ou não caminho para uma eventual reeleição da atual presidente.

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