Quem são os investigados por ligação entre PCC, CV, TCP e Al-Qaeda
Uma operação das forças de segurança do Rio de Janeiro revelou uma suposta rede de lavagem de dinheiro envolvendo facções criminosas brasileiras e a Al-Qaeda, que movimentou mais de R$ 100 milhões.
Segundo as investigações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e da Polícia Civil, um grupo funcionava como uma “prestadora de serviçoes” financeira, atendendo ao PCC (Primeiro Comando da Capital), CV (Comando Vermelho) e TCP (Terceiro Comando Puro).
Além do elo com as maiores facções do Brasil, os agentes identificaram uma possível conexão financeira internacional com a organização terrorista Al-Qaeda. Segundo os investigadores, o elo será aprofundado a partir da análise das provas apreendidas durante a operação. Até o momento, 10 pessoas foram presas.
Ao todo, 22 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público à Justiça do Rio de Janeiro. Veja abaixo quem são:
- Bárbara Luzia Souza de Carvalho
- Reda Zayoun
- Yasser Zayoun
- Kassem Zayoun
- Thierry Martins Lourenço Ribeiro
- Yago Jorge de Souza Daniel
- Samuel Morais da Hora
- Ali Alfakih
- Lucas Gabriel Vidal
- Bárbara de Oliveira Rosa
- Matheus Victor Duarte Borba
- Alax Francesco Bigonha
- Bruno Fabio Gonçalves Valiengo
- Pablo Leonardo Gonçalves Valiengo
- Robson Teles de Farias
- Yussef Awad
- Rafael Moraes de Melo
- Wanderson dos Santos Viana
- Luana da Silva Batista
- Fouad Mohamad Dib
- Kassem Mohamad Diab
- Manoel Simão Reinaldo Gomes Filho
Entre os principais nomes da lista está Bárbara Luzia Souza de Carvalho, descrita como uma das operadoras financeiras centrais. Ela teria movimentado dezenas de milhões de reais por meio de empresas com faturamento incompatível com a capacidade declarada.
Outro núcleo de destaque é composto pelos irmãos Reda, Yasser e Kassem Zayoun, empresários de origem libanesa que atuariam na circulação interestadual e recursos ilícitos, com indícios de operações na região da Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina).
Segundo as autoridades, o grupo usava empresas de fachada, “laranjas” e depósitos fracionados para ocultar a origem do dinheiro vindo do tráfico e do comércio de produtos do crime.
A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos denunciados. O sspaço está aberto para manifestações.
Entenda a Operação Hawala
Equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada e da Coordenadoria de Recursos Especiais cumprem dez mandados de prisão e 37 de busca e apreensão, além de medidas cautelares de bloqueio de ativos financeiros, indisponibilidade de bens e participações societárias.
As diligências ocorrem no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu.
Ligação entre PCC, CV e TCP
A investigação começou a partir da atuação do TCP no Complexo de São Carlos, na Região Central do Rio. Agentes descobriram que a mesma engrenagem financeira também era utilizada para lavar dinheiro de outras facções, como o CV e o PCC. O sistema funcionava como uma espécie de “prestadora de serviços” para diferentes organizações criminosas.
As apurações apontam que entre 2021 e 2024, a estrutura movimentou mais de R$ 100 milhões com dezenas de empresas de fachada por diversos estados. Os empreendimentos eram usados para dar aparência legal ao dinheiro do tráfico de drogas, receptação qualificada e comercialização de produtos falsificados.
As análises financeiras contaram com o apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Polícia Civil.
O trabalho investigativo identificou toda a engenharia empregada para ocultar a origem ilícita dos recursos. Os criminosos utilizavam empresas de fachada, transferências sucessivas entre pessoas jurídicas vinculadas, depósitos fracionados em espécie, “laranjas” para movimentação bancária e operações incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelos investigados.
Empresários libaneses e a Tríplice Fronteira
Os trabalhos policais identificaram ainda um núcleo de empresários de origem libanesa apontado como responsável por ampliar a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos.
Empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais eram usadas para movimentar valores entre operadores financeiros, empresas de fachada e integrantes das organizações criminosas no Rio de Janeiro.
As investigações também identificaram elementos que indicam a atuação de integrantes desse núcleo na região conhecida como Tríplice Fronteira (Brasil–Paraguai–Argentina).
A área que, segundo organismos nacionais e internacionais de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, é historicamente monitorada como um importante polo de operações financeiras e logísticas de grupos terroristas.
As organizações arrecadam recursos por meio de práticas como lavagem de dinheiro, contrabando e tráfico de drogas, além de manterem ligações com facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho. Segundo as apurações, a estrutura serviu para ampliar a capacidade de circulação internacional dos recursos investigados.
Elo com a Al-Qaeda e contador do crime
Os agentes também identificaram uma relação comercial entre uma empresa vinculada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas.
De acordo com as informações levantadas, o indivíduo faz parte de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.
Os dados coletados apontaram que uma operadora financeira administrava empresas que movimentaram mais de R$ 47 milhões no período investigado, enquanto um contador responsável pela escrituração de empresas ligadas ao núcleo financeiro da organização criminosa seria um dos principais facilitadores do esquema.
Segundo as investigações, ele desempenhava papel fundamental para conferir aparência de regularidade às empresas utilizadas na lavagem de dinheiro, deixando de cumprir obrigações legais relacionadas à prevenção desse crime e à comunicação de operações suspeitas ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Sua atuação é apontada como determinante para a manutenção da estrutura empresarial empregada no esquema.
Ainda segundo os agentes, o investigado já figurou em outros inquéritos policiais relacionados a fraudes societárias envolvendo alterações contratuais de empresas inativas e constituição de sociedades utilizadas para práticas ilícitas.
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