“Faltou preparo”: Abilio ironiza vereadores após derrota da LDO e diz que Câmara cometeu “erro bobo”


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JB News

Por Nayara Cristina

A rejeição da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 pela Câmara Municipal de Cuiabá continua provocando desdobramentos políticos e ampliando o desgaste entre o prefeito Abilio Brunini (PL) e parte dos vereadores. Nesta terça-feira (21), durante entrevista concedida na sede do Legislativo, o chefe do Executivo endureceu o discurso, afirmou que faltou conhecimento técnico aos parlamentares que votaram contra a proposta e classificou a decisão como um “grande equívoco”.

Sem citar nomes, Abilio afirmou que muitos vereadores demonstraram desconhecimento sobre a função da LDO, ressaltando que a peça orçamentária não deveria ter sido rejeitada integralmente. Segundo ele, caso houvesse discordâncias, os parlamentares poderiam apresentar emendas, modificar trechos ou retirar dispositivos específicos, preservando a tramitação da matéria. 

Na avaliação do prefeito, a decisão acabou sendo motivada muito mais pelo ambiente político da Câmara do que por questões técnicas. Desde a abertura das articulações para a eleição da Mesa Diretora do biênio 2027/2028, a relação entre Executivo e Legislativo passou a registrar sucessivos atritos, provocando o enfraquecimento da base governista e dificultando a aprovação de projetos estratégicos. 

Abilio afirmou que os vereadores “cometeram um erro bobo” e demonstrou confiança de que a situação será corrigida quando a proposta retornar ao plenário. Segundo ele, a Prefeitura reenviará o projeto para nova apreciação, acreditando que, desta vez, haverá uma análise mais técnica da matéria. 

O prefeito também rebateu críticas de que a derrota representaria apenas um revés político para sua gestão. Segundo ele, o maior prejudicado é o cidadão cuiabano, já que a ausência da LDO compromete o planejamento das prioridades da administração municipal para 2027 e atrasa etapas importantes da elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), instrumento que define a distribuição dos recursos públicos do próximo exercício. 

Durante a entrevista, Abilio voltou a comparar a situação a um estudante que perde o horário de entrada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na analogia, afirmou que alguns vereadores deixaram de participar das discussões técnicas, das audiências públicas e do período destinado à apresentação de emendas e, posteriormente, responsabilizaram o projeto pelo resultado da votação. 

Nos bastidores, porém, a rejeição da LDO é interpretada como um dos episódios mais significativos da crise política instalada entre o Palácio Alencastro e a Câmara Municipal. A derrota expôs a dificuldade do Executivo em manter maioria estável no Legislativo justamente no momento em que cresce a disputa pela sucessão da presidência da Casa. Parlamentares que antes integravam a base passaram a votar de forma independente, enquanto outros utilizam a discussão da Mesa Diretora como instrumento de pressão política sobre o Executivo. 

A rejeição da LDO também produziu efeitos imediatos sobre o calendário legislativo. Pela Lei Orgânica do Município, o recesso parlamentar não pode ser iniciado sem a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Diante desse cenário, Abilio chegou a ironizar a situação, afirmando que não teria pressa para reenviar a proposta justamente porque os vereadores permaneceriam trabalhando durante o período em que normalmente estariam em recesso. 

Do outro lado, vereadores da oposição e parlamentares independentes contestam a versão apresentada pelo prefeito. Eles sustentam que a rejeição foi uma decisão política e técnica, alegando que a proposta enviada pelo Executivo não contemplava reivindicações consideradas prioritárias e que o debate sobre o orçamento exige maior diálogo entre Prefeitura e Câmara. 

O episódio consolidou um dos momentos de maior tensão institucional entre os dois Poderes desde o início da atual legislatura e indica que as próximas votações, especialmente as relacionadas ao orçamento e à eleição da futura Mesa Diretora, deverão continuar sendo marcadas por forte embate político no Legislativo cuiabano.

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