Uma força-tarefa composta por cerca de 100 servidores públicos deflagrou, nesta sexta-feira (9.10), a Operação Via do Cobre em Cuiabá. O objetivo central da ação foi desarticular esquemas de receptação de materiais furtados, como cabos e fios de cobre, além de fiscalizar a regularidade de estabelecimentos conhecidos como sucatões. A mobilização resultou na interdição de dois locais e na condução de três proprietários à delegacia.
A estratégia de fiscalização integrada
A operação reuniu um contingente expressivo de forças de segurança e órgãos de controle, incluindo a Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Politec e a Secretaria Municipal de Ordem Pública. A união de diferentes esferas do governo visa cercar o problema por múltiplos ângulos: desde a verificação de alvarás e licenças ambientais até a busca por itens de origem ilícita.
A secretária de Estado de Segurança Pública, Susane Tamanho, destacou que a presença simultânea de diversos agentes fiscalizadores no momento da abordagem aumenta a eficácia da operação. Segundo ela, o trabalho conjunto permite que irregularidades administrativas e crimes penais sejam tratados de forma imediata, gerando um impacto mais positivo na segurança pública da capital mato-grossense.
Irregularidades e crimes flagrados
Durante as diligências, as autoridades encontraram cenários de total desconformidade com a legislação. Em um dos estabelecimentos, localizado no bairro Novo Colorado, o proprietário recebeu voz de prisão não apenas pela receptação de materiais, mas também por furto de energia elétrica — o popular “gato” — e adulteração de sinais identificadores de veículos. No local, foram apreendidos um motor com chassi adulterado e diversas placas de automóveis.
A delegada Juliana Chiquito Palhares, secretária municipal de Ordem Pública, confirmou que a falta de documentação básica era um padrão nos locais vistoriados. “Nos três pontos que fiscalizamos, em dois deles não havia alvará de funcionamento, licenciamento ambiental ou alvará sanitário”, afirmou. A prefeitura determinou a interdição imediata das atividades econômicas até que os responsáveis busquem a regularização, caso seja possível.
Impacto ambiental e responsabilidade penal
Além dos crimes contra o patrimônio, a questão ambiental também foi foco da operação. O delegado da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), Marcelo Maidame, ressaltou que a atividade de reciclagem é legítima, mas deve seguir normas rígidas para evitar danos ao ecossistema urbano. Foram lavrados três flagrantes de poluição, o que implica tanto em sanções administrativas quanto em processos criminais para os envolvidos.
A operação contou com um efetivo robusto de 48 policiais militares, 24 policiais civis, 11 servidores da Secretaria Municipal de Ordem Pública, oito agentes do Corpo de Bombeiros e quatro peritos da Politec. O combate ao furto de fios e cabos é uma pauta crescente em diversas capitais brasileiras, conforme aponta o Portal da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, que reforça a necessidade de monitoramento constante desses estabelecimentos para desestimular a prática de crimes que afetam diretamente a infraestrutura urbana e os serviços essenciais prestados à população.
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