Perícia confirma que recém-nascida encontrada morta em condomínio de Várzea Grande nasceu com vida


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JB News

Por Emerson Teixeira

Perícia confirma que recém-nascida encontrada morta em condomínio de Várzea Grande nasceu com vida; investigação avança com análise de câmeras e busca por suspeitos

A investigação sobre a morte da recém-nascida encontrada dentro de uma lixeira em um condomínio residencial de Várzea Grande entrou em uma nova fase após a confirmação, por meio de informações preliminares da perícia, de que a bebê nasceu com vida. A constatação muda o rumo das investigações da Polícia Civil, que agora trabalha para identificar quem abandonou a criança e esclarecer as circunstâncias que levaram à sua morte.

O caso é conduzido pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que intensificou as diligências nos últimos dias. Além da coleta de depoimentos de moradores, funcionários e pessoas que tiveram acesso ao condomínio, os investigadores analisam imagens do sistema de monitoramento interno e de câmeras instaladas nas proximidades do residencial. O objetivo é reconstruir a movimentação ocorrida nas horas que antecederam a localização do corpo e identificar quem esteve na área onde fica o compartimento de lixo.

De acordo com a Polícia Civil, as gravações estão sendo examinadas quadro a quadro e podem ser decisivas para apontar a autoria do crime. Paralelamente, os investigadores cruzam os horários registrados pelas câmeras com os depoimentos já colhidos, na tentativa de localizar uma mulher que possa ter dado à luz recentemente ou qualquer pessoa que tenha apresentado comportamento considerado suspeito.

O corpo da bebê foi encontrado na manhã da última quinta-feira (23), dentro da lixeira do Condomínio Chapada do Poente, localizado no bairro Nova Várzea Grande. Funcionários realizavam o recolhimento do lixo quando perceberam a presença da recém-nascida e acionaram imediatamente o Corpo de Bombeiros.

Quando as equipes de resgate chegaram ao local, a criança já não apresentava sinais vitais. A área foi isolada para os trabalhos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), responsável pela coleta dos primeiros vestígios que poderão auxiliar na elucidação do caso.

Segundo o delegado Rogério Gomes, responsável pelas investigações, a bebê tinha entre 30 e 35 semanas de gestação, o equivalente a aproximadamente oito meses de gravidez. No início da apuração, a principal hipótese considerada era a de um possível aborto clandestino. No entanto, com a confirmação de que a criança nasceu com vida, a linha investigativa passou a considerar outras hipóteses criminais, cuja definição dependerá da conclusão dos laudos periciais.

A autoridade policial ressaltou que o enquadramento jurídico definitivo somente será estabelecido após a conclusão de todos os exames técnicos. Os laudos deverão indicar, além da causa da morte, por quanto tempo a bebê permaneceu viva após o nascimento e se houve omissão de socorro ou qualquer tipo de violência.

Outro ponto que reforça as investigações é o fato de o compartimento onde o corpo foi encontrado estar localizado na parte interna do condomínio. Para a Polícia Civil, esse detalhe indica que a recém-nascida provavelmente foi abandonada por um morador, visitante ou por alguém que teve acesso autorizado ao residencial, reduzindo significativamente o universo de pessoas investigadas.

Durante os exames iniciais, a perícia constatou que a bebê apresentava uma pequena lesão em um dos braços e uma deformação na cabeça. Conforme explicou o delegado Rogério Gomes, essa deformidade pode ter sido causada durante o parto, mas somente os exames complementares poderão confirmar se houve alguma lesão provocada posteriormente ou qualquer outro fator que tenha contribuído para a morte.

Enquanto aguarda os laudos conclusivos da Politec, a DHPP continua reunindo provas técnicas e documentais. Os investigadores também não descartam a realização de novos depoimentos, caso as imagens de monitoramento revelem pessoas ainda não identificadas ou movimentações consideradas relevantes para o esclarecimento do caso.

A Polícia Civil trata o episódio como prioridade e acredita que o conjunto formado pelos exames periciais, pelas imagens das câmeras de segurança e pelos depoimentos colhidos será fundamental para identificar o responsável pelo abandono da recém-nascida e esclarecer todas as circunstâncias que envolveram o crime.



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