Sete mortes em menos de uma semana: Marcelo rebate críticas e atribui tragédias na MT-010 à imprudência dos motoristas
JB News
Por Nayara Cristina
A sucessão de acidentes fatais registrada nas últimas semanas na MT-010, conhecida como Estrada da Guia, voltou a colocar a rodovia no centro do debate sobre segurança viária em Mato Grosso. Em um intervalo de poucos dias, duas colisões de grandes proporções deixaram sete pessoas mortas, mobilizaram equipes de resgate e reacenderam questionamentos sobre as condições da estrada, a sinalização, a fiscalização e o comportamento dos motoristas.
O assunto foi abordado nesta quinta-feira (9), durante agenda do secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, em Várzea Grande, onde participou do lançamento de obras de recapeamento. Questionado sobre as críticas de que um quebra-molas implantado recentemente na MT-010 teria contribuído para um dos acidentes, o secretário descartou falhas na sinalização e afirmou que os dois casos têm, na avaliação preliminar do Estado, características relacionadas à imprudência dos condutores.
“Primeiro, os acidentes que aconteceram na MT-010 envolveram excesso de velocidade. Ninguém andando entre 60 e 80 quilômetros por hora provoca uma tragédia daquela proporção”, afirmou.
Marcelo também rebateu as críticas direcionadas aos redutores de velocidade instalados na rodovia.
“Os quebra-molas estavam todos sinalizados. Havia placas avisando com antecedência, placas indicando o redutor a cerca de 200 metros e sinalização no próprio local. Infelizmente, muitas pessoas não respeitam a velocidade indicada.”
Segundo ele, nenhuma intervenção de engenharia substitui a responsabilidade individual dos motoristas.
“Nós temos que ter responsabilidade no trânsito e andar dentro da velocidade permitida.”
Ao comentar outro acidente ocorrido na mesma rodovia, no trecho entre Rosário Oeste e Cuiabá, o secretário voltou a responsabilizar o comportamento do condutor.
“O acidente aconteceu em faixa contínua, onde é proibido ultrapassar. A velocidade que aqueles veículos desenvolviam era um absurdo. Ultrapassar naquele ponto é uma infração gravíssima, e infelizmente aconteceu aquela tragédia.”
As declarações foram dadas poucos dias depois de dois dos acidentes mais graves registrados este ano na MT-010.
No primeiro deles, ocorrido no dia 30 de junho, na região da Estrada da Guia, em Cuiabá, três pessoas morreram após a colisão entre um carro de passeio e um caminhão-guincho. Conforme as informações apuradas pela Polícia Civil, o caminhão havia reduzido a velocidade e parado nas proximidades de uma rotatória, logo após transpor um quebra-molas, para verificar a carga que transportava. O automóvel que seguia no sentido contrário perdeu o controle ao passar pelo redutor e colidiu violentamente contra o guincho. Morreram Paulo César da Silva, de 56 anos, sua filha, Mônica Jaci Batista e Silva, de 18 anos, e Eduardo Albuquerque Menezes, de 19 anos. As circunstâncias exatas do acidente continuam sendo investigadas. (CUIABÁ NOTÍCIAS)
Menos de uma semana depois, na manhã de 6 de julho, um novo acidente chocou Mato Grosso. Dois carros bateram de frente na MT-010, no município de Rosário Oeste. O impacto foi tão violento que um dos veículos foi completamente consumido pelo fogo, deixando uma vítima carbonizada. No outro automóvel, três ocupantes morreram presos às ferragens, sendo necessário o trabalho do Corpo de Bombeiros após a conclusão da perícia para retirar os corpos. Imagens registradas por testemunhas mostraram um cenário de destruição, com um dos veículos praticamente reduzido à estrutura metálica e o outro tombado após a colisão. As causas do acidente seguem sob investigação da Polícia Civil e da Politec. (RepórterMT)
A sequência de tragédias intensificou a cobrança da população por medidas que aumentem a segurança na MT-010. Motoristas que utilizam diariamente a rodovia relatam preocupação com o elevado fluxo de caminhões, máquinas agrícolas, ônibus e veículos de passeio, principalmente nos horários de pico e durante o período de escoamento da produção agrícola.
Nos últimos anos, a MT-010 deixou de ser apenas uma estrada de acesso ao Distrito da Guia e passou a desempenhar papel estratégico na ligação entre Cuiabá, Rosário Oeste e municípios da região norte do Estado. O crescimento urbano ao longo da rodovia, aliado ao aumento do tráfego de veículos pesados e leves, ampliou significativamente a pressão sobre a infraestrutura existente.
Embora parte da população questione a necessidade de novas intervenções, especialistas em segurança viária lembram que acidentes dessa natureza normalmente decorrem de um conjunto de fatores, como velocidade incompatível com a via, ultrapassagens proibidas, desatenção, condições dos veículos, características da pista e comportamento dos condutores. A dinâmica específica de cada ocorrência somente pode ser determinada após a conclusão dos laudos periciais.
Paralelamente às discussões sobre fiscalização e educação no trânsito, o Governo do Estado prepara uma das principais obras previstas para a região: a duplicação da MT-010. Segundo Marcelo de Oliveira, o contrato está em fase final de formalização e a expectativa é que os trabalhos tenham início nas próximas semanas.
“O prazo da obra será de aproximadamente um ano e seis meses. Essa duplicação vai trazer mais segurança e melhorar a capacidade da rodovia”, afirmou.
Enquanto a duplicação não começa, a sucessão de acidentes reforça um alerta que vai além da infraestrutura. As tragédias recentes expõem o alto custo humano da imprudência nas estradas e reacendem a discussão sobre a necessidade de combinar investimentos em engenharia, fiscalização mais eficiente e conscientização dos motoristas para evitar que novas famílias sejam marcadas por perdas irreparáveis em uma das rodovias mais movimentadas da Baixada Cuiabana.
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