ECONOMIA E AGRO

Relatório do USDA surpreende mercado com oferta de milho e derruba preços em Chicago

Relatório do USDA aponta oferta maior de milho e soja nos EUA, derrubando cotações em Chicago e exigindo cautela do produtor rural brasileiro.

Ver resumo
  • O mercado global de commodities agrícolas reagiu com pessimismo aos dados mais recentes divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
  • O relatório de oferta e demanda, publicado na sexta-feira, dia 9, trouxe números que frustraram as expectativas dos investidores, especialmente no que…
  • A revisão para cima na produção norte-americana e o consequente aumento dos estoques finais sinalizaram uma disponibilidade maior do cereal, o que…
Relatório do USDA surpreende mercado com oferta de milho e derruba preços em Chicago
Foto: Pixabay/ Arte Canal Rural

O mercado global de commodities agrícolas reagiu com pessimismo aos dados mais recentes divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O relatório de oferta e demanda, publicado na sexta-feira, dia 9, trouxe números que frustraram as expectativas dos investidores, especialmente no que diz respeito ao milho. A revisão para cima na produção norte-americana e o consequente aumento dos estoques finais sinalizaram uma disponibilidade maior do cereal, o que pressionou as cotações na Bolsa de Chicago.

Enquanto o mercado antecipava uma possível redução na colheita dos Estados Unidos, o órgão oficial trouxe um cenário oposto. Para a soja, embora os ajustes tenham sido mais contidos, o balanço de oferta e demanda também se mostrou mais confortável do que o previsto, limitando o potencial de valorização. A mudança de perspectiva, que contrasta com o otimismo observado em setembro, exige agora cautela redobrada por parte dos produtores rurais.

Continua depois da publicidade

Impacto direto na produção de milho

O milho foi o protagonista das revisões negativas. A estimativa de produção para a safra 2026/27 nos Estados Unidos saltou de 401,3 milhões para 407,3 milhões de toneladas, um incremento de 1,5%. O dado surpreendeu analistas, que projetavam um recuo para cerca de 399,7 milhões de toneladas. Mesmo com a produtividade estimada em 186 sacas por hectare, o volume total ampliou significativamente a oferta disponível.

Os estoques finais americanos registraram um avanço de 18% em relação ao levantamento anterior, superando a barreira das 43 milhões de toneladas esperadas pelo mercado. Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, destaca que o balanço ficou muito mais confortável do que o imaginado. “Isso muda a leitura que tínhamos em setembro, quando o balanço parecia mais apertado. Chicago passa a depender de novos fatores de demanda ou de riscos climáticos para recuperar força”, aponta a especialista.

Cenário global e reflexos no Brasil

No âmbito mundial, a tendência de alta nos estoques de milho foi confirmada, passando de 272,1 milhões para 280,4 milhões de toneladas. Esse excedente global, que superou as projeções de 273,8 milhões, retira o suporte que as cotações internacionais vinham encontrando nos últimos meses. Na Argentina, a situação segue a mesma linha, com um aumento de quase 25% nos estoques finais.

Para o Brasil, o cenário exige atenção. Embora a estimativa de produção para a safra 2026/27 tenha se mantido em 139 milhões de toneladas, a previsão de embarques para o ciclo 2025/26 foi reduzida de 40 milhões para 38 milhões de toneladas. Essa queda nas exportações brasileiras reflete um mercado internacional mais abastecido e, consequentemente, mais competitivo e exigente.

Soja mantém tendência de oferta confortável

O mercado de soja também sentiu o peso do relatório do USDA, ainda que de forma menos intensa. A produção americana para a safra 2026/27 foi elevada em 0,6%, atingindo 124,2 milhões de toneladas. Apesar de um aumento na demanda externa, os estoques finais nos Estados Unidos subiram de 8,4 milhões para 8,6 milhões de toneladas, frustrando quem esperava por um aperto na oferta.

Yedda Monteiro classifica a leitura para a soja como neutra a levemente negativa. O foco do mercado agora se desloca para a Ásia. “O setor deve acompanhar principalmente a retomada das compras chinesas após o feriado e o ritmo da demanda nas próximas semanas”, explica a analista. Com poucas alterações nas estimativas para Brasil e China, o relatório não ofereceu novos elementos que pudessem impulsionar os preços no curto prazo.

Estratégia de comercialização para o produtor

Diante da nova realidade de preços, a recomendação para o produtor é de prudência. A dependência exclusiva de uma recuperação nas bolsas internacionais tornou-se uma estratégia arriscada após os dados do USDA. A orientação é buscar janelas de oportunidade e realizar a comercialização de forma escalonada, evitando a exposição excessiva à volatilidade de Chicago.

O Play Notícias News segue acompanhando de perto os desdobramentos do mercado agrícola e as análises dos principais especialistas do setor. Continue conectado ao nosso portal para receber informações atualizadas, contextos relevantes e as análises que impactam diretamente o seu negócio e o agronegócio brasileiro.

Mais sobre este assunto