A ascensão dos defensivos biológicos no agronegócio brasileiro atravessa um momento de amadurecimento técnico. Com o setor movimentando cerca de R$ 5,3 bilhões e alcançando 107 milhões de hectares no ciclo 2025-26, segundo dados da consultoria Kynetec, o produtor rural tem adotado uma postura mais criteriosa na escolha de seus insumos. Esse movimento de seleção natural das empresas fornecedoras reflete a busca por resultados consistentes em um sistema agrícola que exige alta produtividade.
A necessidade de rigor técnico na escolha de insumos
Para Germison Tomquelski, mestre e doutor em agronomia da consultoria Desafios Agro, em Chapadão do Sul (MS), a adoção de biológicos é um caminho sem volta para a sustentabilidade e a eficiência do sistema produtivo nacional. O especialista ressalta que a agricultura dinâmica do Brasil, marcada pela ausência de quebra no ciclo de pragas, torna o uso exclusivo de químicos uma estratégia de custo elevado e alta dependência de pulverizações.
Entretanto, o pesquisador alerta que a eficácia desses produtos não é uniforme. “Biológicos são oito ou oitenta. Ou controlam pragas, ou não controlam. A questão é a qualidade, que faz uma diferença enorme”, afirma Tomquelski. Segundo ele, a variação de performance entre diferentes marcas é drástica, com produtos que entregam 80% de controle frente a outros que não superam os 10%, independentemente de aumentos na dosagem aplicada.
O impacto da qualidade no controle de pragas
Estudos conduzidos pela Desafios Agro exemplificam essa disparidade, especialmente no uso de baculovírus para o manejo de lagartas em culturas como a soja. As avaliações mostraram que a formulação e a concentração do agente biológico são determinantes para o sucesso da aplicação. Enquanto produtos de alta qualidade atingiram níveis elevados de eficiência, formulações inferiores apresentaram resultados frustrantes, o que acaba gerando desconfiança por parte do agricultor.
Essa experiência negativa é, segundo o especialista, o principal fator de resistência entre uma parcela dos produtores. “Muitos aplicaram bioinsumos que não entregaram resultados satisfatórios. Passaram então a ter dúvidas quanto à eficácia dos produtos e a colocar em xeque sua efetividade”, explica. A falha na entrega do resultado final acaba prejudicando a imagem do setor como um todo, dificultando a adesão de novos usuários.
Seleção natural e o futuro do mercado
Apesar dos desafios, o mercado está passando por um processo de depuração. A exigência por parâmetros técnicos rigorosos — como potência, formulação e relação custo-benefício comprovada — tem forçado a saída ou a readequação de empresas que oferecem produtos sem atividade biológica consistente. O produtor, cada vez mais conectado a dados e consultorias especializadas, tem sido o agente central dessa mudança.
O movimento de diferenciação entre fornecedores de confiança e aqueles que não atendem às expectativas é visto como um passo fundamental para a consolidação dos biológicos. Para acompanhar as transformações do agronegócio e as inovações que moldam a produtividade no campo, continue acompanhando o Play Notícias News. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura aprofundada, com credibilidade e foco nos temas que realmente impactam o desenvolvimento do país.
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