A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15.10), a Operação Legado com o objetivo de desmantelar um complexo esquema de corrupção que teria causado prejuízos milionários aos cofres públicos de Nossa Senhora do Livramento. As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), apontam para um volume de movimentações financeiras suspeitas que ultrapassa a marca de R$ 90 milhões.
A ação policial mobilizou cerca de 30 agentes da Diretoria de Atividades Especiais para o cumprimento de 30 ordens judiciais, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá. Entre os alvos da operação estão uma ex-secretária municipal, empresários e indivíduos suspeitos de atuar como laranjas no esquema criminoso.
Investigação sobre desvios em contratos públicos
O trabalho da Deccor é um desdobramento direto da Operação Liberatio, iniciada em 2024 pelo Núcleo de Ação de Competência Originária (NACO/MP-MT), que já havia colocado sob suspeita a gestão municipal anterior. A nova fase da apuração foca especificamente no rastro do dinheiro desviado de dois contratos estratégicos firmados pela prefeitura na época: o fornecimento de combustíveis para a frota oficial e a manutenção de pontes de madeira na zona rural.
Os investigadores identificaram um padrão sofisticado de lavagem de dinheiro, peculato e corrupção passiva. O esquema utilizava empresas de fachada e manobras financeiras para ocultar a origem dos recursos públicos, que deveriam ser destinados a serviços essenciais para a população de Nossa Senhora do Livramento.
Uso de contas de pessoas falecidas
Um dos pontos mais alarmantes revelados pela polícia é a utilização de contas bancárias em nome de uma pessoa já falecida para movimentar os valores ilícitos. A titular da conta, que era mãe do proprietário do posto de combustíveis investigado e avó da dona da construtora envolvida, teve seus dados bancários explorados mesmo após o seu óbito.
Essa prática, considerada atípica e criminosa, permitia que os envolvidos movimentassem grandes somas sem levantar suspeitas imediatas dos órgãos de controle. A justiça determinou, além do bloqueio de bens, ordens específicas para que instituições financeiras impeçam qualquer reativação ou uso indevido dessas contas por terceiros.
Bloqueios judiciais e medidas cautelares
Para garantir o ressarcimento ao erário e interromper a continuidade das atividades ilícitas, o Judiciário autorizou o bloqueio de R$ 15,8 milhões nas contas dos investigados. Além das restrições financeiras, foram apreendidos dois veículos, uma motocicleta e um caminhão que estariam vinculados ao esquema.
A decisão judicial também impôs uma proibição severa: a empresa investigada está impedida de participar de novas licitações ou firmar contratos com o Poder Público, especialmente com o município de Nossa Senhora do Livramento. A polícia segue analisando os dados coletados em sete mandados de busca e apreensão e seis ordens de acesso a dispositivos móveis, o que deve revelar novos detalhes sobre a rede de corrupção.
O Play Notícias News segue acompanhando o desenrolar das investigações e os desdobramentos desta operação. Continue conosco para se manter informado sobre os fatos que impactam a administração pública e a transparência em Mato Grosso, com a credibilidade e a profundidade que você já conhece.
Para mais detalhes sobre as ações da Polícia Civil, acesse o portal oficial da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso.
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