O agronegócio brasileiro contabilizou 448 pedidos de recuperação judicial durante o segundo trimestre de 2026. O montante representa uma diminuição de 20,7% na comparação direta com as 565 solicitações registradas no mesmo intervalo do ano anterior. As informações constam em levantamento divulgado pela Serasa Experian, contemplando produtores rurais pessoas físicas, empresas constituídas como pessoas jurídicas e agentes ligados à cadeia produtiva do campo.
Em relação ao primeiro trimestre deste ano, período em que foram somados 474 requerimentos, o recuo verificado foi de 5,5%. Essa trajetória de baixa põe fim a um ciclo contínuo de elevações observado nos segundos trimestres de 2023, 2024 e 2025, conforme aponta a série histórica da instituição, que teve início em 2021.
Sazonalidade e renegociações aliviam pressão financeira
Segundo a avaliação da Serasa Experian, a conjuntura econômica para a atividade agropecuária ainda impõe cautela. Questões como custos elevados de insumos, endividamento acumulado e critérios mais rigorosos adotados pelas instituições financeiras para a concessão de crédito continuam no horizonte dos produtores.
O head de agronegócio da entidade, Marcelo Pimenta, pontuou que o declínio registrado pode ter relação direta com o calendário produtivo e a organização orçamentária dos negócios rurais. De acordo com o executivo, o avanço em acordos prévios evitou medidas judiciais extremas.
“A retração nesse segundo trimestre registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados, pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores”, explicou Marcelo Pimenta.
O especialista frisou também que a redução pontual não garante a resolução definitiva dos entraves financeiros do segmento. A continuidade do movimento favorável dependerá dos desdobramentos dos próximos meses, mantendo o recurso aos tribunais apenas como última alternativa viável.
Mato Grosso lidera pedidos de recuperação judicial
No mapeamento regional das solicitações, o estado de Mato Grosso figurou no topo do ranking nacional, somando 107 pedidos de recuperação judicial entre abril e junho. Esse volume representou 23,9% de todos os registros levantados no país, conforme os dados detalhados pela apuração da CNN Brasil.
Outras unidades federativas também apresentaram participação relevante nas estatísticas gerais do setor:
- Goiás: 84 pedidos (18,8% do total);
- São Paulo: 72 pedidos (16,1% do total);
- Minas Gerais: 54 pedidos (12,1% do total);
- Paraná: 42 pedidos (9,4% do total).
Pessoas físicas concentram maior volume de processos
Os produtores rurais que operam sob a modalidade de pessoa física responderam pela maior fatia dos processos judiciais abertos no período. Foram 197 pedidos no segundo trimestre de 2026, indicando um decréscimo de 10,5% frente aos 220 anotados no segundo trimestre de 2025.
Nessa categoria específica, Mato Grosso liderou com 49 requisições, seguido por Goiás (46), Minas Gerais (23), São Paulo (22) e Paraná (16). Ao segmentar por perfil fundiário, a categoria de produtores identificados como sem propriedades somou 70 registros, englobando arrendatários e participantes de composições familiares. Os grandes proprietários responderam por 51 pedidos, seguidos pelos pequenos (39) e médios (37).
Pessoas jurídicas registram retração expressiva
Entre as empresas e produtores formalizados como pessoas jurídicas, o recuo foi ainda mais acentuado. O segmento registrou 160 pedidos no trimestre analisado, queda expressiva de 34,2% perante as 243 solicitações formalizadas no mesmo período do ano anterior.
A cultura de soja concentrou o maior número de ocorrências nessa modalidade, respondendo por 70 processos. A bovinocultura veio na sequência, somando 28 pedidos. Outras atividades com destaque incluíram o cultivo de cana-de-açúcar (15), café (13) e cereais diversos (12). No recorte estadual das pessoas jurídicas, Mato Grosso contabilizou 54 casos, São Paulo 28, Goiás 22, Minas Gerais 21 e Paraná 15.
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