ECONOMIA E AGRO

Integração entre lavoura e pecuária transforma fazenda em mato grosso

Fazenda no Vale do Araguaia aposta na integração entre lavoura e pecuária para ampliar resultados e otimizar custos.

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  • A integração entre lavoura e pecuária orienta o sistema produtivo da Fazenda Mirante do Tesouro, localizada no município de Água Boa, em…
  • Na propriedade, a produção de grãos como soja e milho está diretamente conectada à criação e à terminação de bovinos, em uma…
  • A mudança estrutural na propriedade começou há onze anos, quando Gilmar Dell Osbel e um sócio adquiriram a área, que na época…
Integração entre lavoura e pecuária transforma fazenda em mato grosso
Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A integração entre lavoura e pecuária orienta o sistema produtivo da Fazenda Mirante do Tesouro, localizada no município de Água Boa, em Mato Grosso. Na propriedade, a produção de grãos como soja e milho está diretamente conectada à criação e à terminação de bovinos, em uma estratégia que busca aproveitar melhor a área disponível e agregar valor à produção dentro da própria estrutura rural.

A mudança estrutural na propriedade começou há onze anos, quando Gilmar Dell Osbel e um sócio adquiriram a área, que na época apresentava pastagens degradadas e infraestrutura precária para a pecuária. A localização e a qualidade do solo favoreceram a recuperação gradual do espaço, permitindo a reforma de pastos, a melhoria de estruturas e a incorporação definitiva da agricultura ao modelo de negócios da família.

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Modelo integrado valoriza a verticalização da produção

Atualmente, a Fazenda Mirante do Tesouro conta com dois mil e cem hectares destinados à lavoura e outros mil e duzentos hectares de pastagem perene. A soja ocupa a primeira safra do ano agrícola, seguida pelo cultivo de milho consorciado com braquiária em parte da área, permitindo o uso estratégico do capim para o pastejo e dos grãos na alimentação do rebanho bovino.

Em vez de priorizar a expansão horizontal com a aquisição de novas terras, que exige investimentos elevados em solo e arrendamento, a gestão optou pela verticalização das atividades. A estratégia permite utilizar os produtos da própria fazenda, como o milho e o farelo de soja, para reduzir os custos na produção da arroba de carne bovina comercializada para os frigoríficos.

Trajetória familiar e raízes no vale do araguaia

A relação da família com a agricultura mato-grossense começou décadas antes da consolidação do atual sistema integrado. Gilmar chegou a Mato Grosso em 1972, aos oito anos de idade, quando seus familiares deixaram o Rio Grande do Sul para participar do processo de colonização do Vale do Araguaia, enfrentando um cenário inicial marcado por limitações de infraestrutura e ausência de tecnologia avançada.

O cultivo de milho acompanhou a evolução da região desde os tempos de plantio manual até a chegada da mecanização agrícola. As lembranças do período de colonização reforçam a persistência dos produtores que permaneceram na região e construíram as bases para o desenvolvimento econômico do setor agropecuário local ao longo das décadas.

Autonomia operacional com armazéns próprios

Para garantir maior previsibilidade e segurança no planejamento de cada safra, a fazenda investiu na construção de estruturas próprias de armazenamento e secagem de grãos. Essa autonomia operacional permite antecipar a colheita, controlar rigorosamente a classificação dos produtos e reduzir os riscos de perdas causadas por chuvas inesperadas ou períodos de umidade inadequada.

A presença da infraestrutura própria também viabiliza a prestação de serviços para propriedades vizinhas e otimiza o fluxo logístico das safras. O suporte financeiro e a parceria de longo prazo com instituições cooperativas, como o Sicredi, acompanham a evolução dos negócios desde a época em que a geração anterior iniciou as atividades na região de Canarana.

Sucessão familiar e continuidade dos negócios

A sucessão familiar já faz parte da rotina de gestão da propriedade, com a participação ativa dos filhos na administração de unidades produtivas e empresas ligadas ao agronegócio. Para Gilmar, o envolvimento da família é o principal fator de sustentabilidade e sucesso para a continuidade do trabalho desenvolvido no campo há mais de cinco décadas.

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