O Ministério da Agricultura confirmou o registro de um foco de Doença de Newcastle em uma criação comercial de perus localizada no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. O anúncio foi feito pelo ministro André de Paula e gerou imediata atenção no mercado internacional, levantando questionamentos sobre potenciais impactos e interrupções nas exportações de carne de frango do Brasil, considerado o maior exportador global do produto.
Autoridades do governo federal iniciaram os contatos com parceiros comerciais para detalhar a ocorrência da enfermidade viral altamente contagiosa para as aves. Até o momento, o ministério informou que não recebeu notificações oficiais sobre suspensões de embarques por parte de países importadores, enquanto analisa os protocolos necessários para a definição de um eventual autoembargo nas exportações do setor.
impacto nas exportações e diálogo com parceiros comerciais
A preocupação do setor produtivo com o novo foco remonta a episódios anteriores, a exemplo do embargo imposto pela China em 2024 após a confirmação de um caso em uma granja comercial no Rio Grande do Sul, restrição que só foi superada no início deste ano. Os chineses representam atualmente o principal mercado importador da carne de frango brasileira, respondendo por cerca de 10% das vendas totais do país entre janeiro e setembro, com um volume de 420 mil toneladas comercializadas no período.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, existe um acordo firmado com a China que prevê a suspensão temporária das exportações de aves brasileiras diante de ocorrências da Doença de Newcastle. A partir da adoção do autoembargo pelo governo brasileiro, cabe aos parceiros internacionais definirem se as restrições serão aplicadas de forma regionalizada ou estendidas a todo o território nacional.
medidas sanitárias e segurança no consumo
O governo brasileiro tem defendido junto aos importadores a aplicação de protocolos baseados na regionalização do problema, o que permitiria conter os reflexos comerciais e evitar barreiras generalizadas aos produtos nacionais. As ações de contenção, controle e erradicação seguem estritamente as diretrizes estabelecidas pelo Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, com a interdição imediata do estabelecimento afetado e a suspensão total da movimentação de aves na região.
Representantes da pasta e entidades do setor, incluindo a ABPA, a ACAV e o Sindicarne, reforçaram que a detecção ocorreu sem manifestação clínica da doença nos animais confinados, tratando-se da presença do vírus sem o desenvolvimento sintomático nos plantéis. As autoridades também destacaram que a enfermidade não oferece riscos à saúde humana, garantindo que o consumo de produtos avícolas inspecionados permanece totalmente seguro e sem contraindicações para a população, conforme informações divulgadas pela Agência Brasil.
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