A Justiça de Mato Grosso condenou a 31 anos e três dias de reclusão, em regime inicial fechado, e um mês e três dias de detenção em regime aberto o homem que assassinou a esposa no bairro Parque Cuiabá, na Capital. O crime, que chocou a comunidade local pela frieza e planejamento, foi julgado no Fórum da Comarca de Cuiabá, marcando um desfecho rigoroso para o caso que teve ampla repercussão regional.
Além da pena privativa de liberdade, a decisão judicial determinou o pagamento de 15 dias-multa e fixou uma indenização mínima de 50 salários-mínimos aos sucessores da vítima, a título de reparação pelos danos materiais e morais causados. O julgamento reuniu depoimentos marcantes de familiares e detalhou a dinâmica de uma investigação conduzida para desvendar uma série de mentiras e simulações arquitetadas pelo réu.
Planejamento e simulação de sequestro
Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso, o crime ocorreu em 4 de maio deste ano. O réu estrangulou a empresária Nilza Moura Sousa da Silva, de 64 anos, com uma abraçadeira plástica enquanto ela dormia na residência do casal. A acusação destacou que a vítima não teve qualquer chance de defesa, sendo atacada no local onde deveria estar segura.
Após cometer o homicídio, o assassino transportou o corpo até outro imóvel pertencente à vítima e o enterrou em uma vala previamente aberta. Para tentar despistar as autoridades e os familiares, o criminoso simulou um sequestro, enviando mensagens falsas que exigiam resgate e registrando um boletim de ocorrência por desaparecimento no dia seguinte.
Motivação financeira e controle patrimonial
Durante a instrução processual e o julgamento, o Ministério Público enfatizou que a principal motivação do crime foi a ganância e o interesse no patrimônio da empresária. Relatos de familiares indicavam que a vítima possuía bens avaliados em mais de R$ 1 milhão, incluindo diversos apartamentos administrados pelo próprio marido, que exercia forte controle sobre o cotidiano dela.
Testemunhas apontaram que, logo após o assassinato, o réu realizou transferências bancárias indevidas da conta da vítima e retirou equipamentos de monitoramento da residência. Mesmo sabendo do paradeiro do corpo, ele chegou a acompanhar familiares nas buscas e a frequentar delegacias, demonstrando preocupação exclusiva com a administração dos bens deixados.
Repercussão familiar e clamor por justiça
Apesar de familiares manifestarem expectativa por uma pena ainda mais severa durante os atos que antecederam o júri, o veredicto representou um passo importante na busca por responsabilização penal. O caso mobilizou a opinião pública e gerou debates intensos sobre a gravidade da violência patrimonial associada ao feminicídio.
O réu estava preso preventivamente desde maio na Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, localizada em Várzea Grande, e agora cumprirá a pena em regime fechado pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime, encerrando um dos episódios mais marcantes do ano no sistema judicial estadual.
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