Um relatório técnico elaborado pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) revelou novos detalhes sobre a circulação de imagens que mostram o vereador e ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG), Rogerinho Dakar, recebendo maços de dinheiro. De acordo com as investigações, a divulgação do material ocorreu logo após o seu afastamento político articulado pelo presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira.
As apurações que fundamentaram o documento foram determinantes para a deflagração da Operação Cathedra Venalis, realizada em quarta-feira (20). O inquérito aponta que a entrega dos valores em espécie teria acontecido no interior da residência da mãe de Wanderley, situada no bairro Jardim Imperador, na cidade de Várzea Grande.
Cronologia do vazamento e desdobramentos políticos
O registro audiovisual veio à tona publicamente no dia 10 de agosto. O episódio resultou diretamente na exoneração de Rogerinho do comando do DAE-VG, ocorrida em 18 do mesmo mês. Diante da repercussão, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) solicitou a abertura de investigações formais tanto à prefeitura quanto ao legislativo municipal.
A sequência de acontecimentos colocou o parlamentar no centro de uma crise institucional na esfera local. Atualmente, Rogerinho Dakar também é alvo de um procedimento específico instaurado pela Comissão de Ética e Decoro da Câmara Municipal para apurar a conduta e eventuais quebras de decoro parlamentar decorrentes do caso.
Suposta dinâmica e presença de autoridades
O relatório do órgão fiscalizador detalha que, no momento da suposta transação financeira registrada nas imagens, estariam presentes figuras centrais da política local. Entre os citados no documento estão o próprio Rogerinho Dakar, apontado como receptor da quantia, e Wanderley Cerqueira, identificado na condição de responsável pelo pagamento.
Além dos dois, o suplente de vereador Samir Japonês também é mencionado nas investigações. Informações repassadas por um denunciante anônimo indicam que detalhes arquitetônicos da casa visíveis na gravação coincidiam com o imóvel familiar, embora reformas posteriores tenham alterado a fachada do local.
Defesa e posicionamento dos citados
Logo após a repercussão negativa do caso em agosto, o vereador tentou justificar a origem do montante exibido nas imagens. Na época, Rogerinho argumentou que realizava transações comerciais habituais devido à sua atuação prévia como empresário, embora não tenha apresentado documentos comprobatórios sobre a transação específica.
O parlamentar também alegou publicamente estar sofrendo perseguição e ataques de natureza política, associando a exposição do material à sua gestão à frente da autarquia de saneamento. Até o fechamento das apurações jornalísticas, a reportagem não havia conseguido contato com a defesa do vereador para novas manifestações.
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