O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) colocou sob suspeita a utilização de um veículo de transporte coletivo em ações comunitárias na região metropolitana. As apurações buscam esclarecer se houve desvio de finalidade na operação de um ônibus pertencente à União Transportes durante a realização de eventos voltados à distribuição de donativos para moradores locais.
A investigação aponta que o parlamentar Wanderley Cerqueira teria empregado o veículo em uma iniciativa conhecida como “Bazar Itinerante”. O projeto, encabeçado pela equipe política do vereador, tem como objetivo principal repassar roupas e vestimentas arrecadadas por meio de doações à população de bairros carentes, mas a mobilização do transporte público gerou questionamentos legais sobre a legalidade da cessão.
A apuração sobre o transporte público e o bazar
De acordo com os relatórios levantados pelos investigadores, a circulação do automóvel com identificação visual voltada à ação social ocorreu sem o devido respaldo nos registros oficiais do poder público municipal. As verificações nos canais institucionais demonstraram a ausência de menções formais sobre o uso do ônibus nos registros da prefeitura e da própria câmara de vereadores.
Diante da falta de documentação comprobatória, os órgãos de controle buscaram esclarecimentos formais com a empresa concessionária responsável pela frota. A direção da companhia negou categoricamente qualquer tipo de acordo ou autorização prévia para que veículos destinados ao tráfego regular de passageiros fossem direcionados a finalidades particulares ou de cunho político e comunitário.
Desdobramentos da operação e alvos da investigação
O caso do transporte atrelado ao projeto social faz parte de um contexto investigativo mais amplo que culminou na deflagração da Operação Cathedra Venalis. A ofensiva mobilizou equipes para o cumprimento de dezenas de mandados de busca e apreensão em localidades estratégicas do estado, abrangendo endereços ligados a figuras públicas e servidores municipais.
As diligências conduzidas pelos investigadores atingem dezenas de agentes políticos, incluindo membros do legislativo de Várzea Grande e de Cuiabá, além de ocupantes de cargos administrativos de confiança. O objetivo central é desvendar possíveis esquemas estruturados de corrupção, obtenção de vantagens indevidas e cooptação de agentes públicos dentro da administração municipal.
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