A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira (21) que aceita as exigências apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro para ampliar a abertura de sigilos. A resposta alcança informações sobre o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, a primeira-dama Janja, despesas com cartões corporativos e registros de reuniões nos palácios presidenciais.
O anúncio foi feito pelo senador Camilo Santana, coordenador da campanha petista. Segundo ele, a equipe jurídica levará a resposta ao Tribunal Superior Eleitoral nesta quinta-feira (22). A concordância, porém, mantém a condição de que Flávio também libere as informações solicitadas por Lula.
Negociação e condicionantes no Tribunal Superior Eleitoral
A manifestação ocorre após Flávio apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral uma autorização condicionada para abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos. O candidato do PL exigiu que a divulgação também alcance pessoas próximas ao presidente, empresas de familiares e despesas do governo federal.
Entre os pontos cobrados estão os gastos com cartões corporativos da Presidência desde janeiro de 2023, a agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025 e os registros de visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada. Flávio também pediu informações sobre o uso de helicópteros e despesas da residência oficial.
Ampliação de dados e divergências sobre empresas
A lista inclui ainda documentos sobre reuniões entre Lula e Daniel Vorcaro, do Banco Master, além dos registros de acesso do banqueiro e do ex-ministro Guido Mantega aos palácios do governo. Também foram solicitadas listas de passageiros de voos da Força Aérea Brasileira.
No caso de Marcola, a campanha petista informou que o próprio ex-assessor concordou com a abertura de seus dados. As exigências apresentadas por Flávio também abrangem o Instituto Lula e empresas dos filhos do presidente, especialmente de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Impasses e próximos passos na disputa eleitoral
Apesar do anúncio de concordância, permanece uma divergência sobre a empresa Alcazar Holdings, ligada ao advogado Willer Tomaz. A campanha de Lula cobra a inclusão dos dados da companhia, enquanto Flávio afirma que não é sócio, administrador nem beneficiário da empresa e sustenta que não tem acesso às informações bancárias e fiscais.
Na proposta inicial, protocolada na terça-feira (20), Lula autorizou a divulgação de seus dados e dos de Janja e seus cinco filhos referentes aos últimos oito anos, desde que Flávio adotasse a mesma medida em relação a si e aos familiares indicados. A petição prevê a disponibilização das informações em uma plataforma pública.
O anúncio de Camilo representa o compromisso da campanha de apresentar uma nova resposta ao Tribunal Superior Eleitoral. A formalização das autorizações e a efetiva divulgação dos documentos são etapas distintas que devem movimentar os bastidores jurídicos e políticos nos próximos dias.
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