“Achei que ia morrer”: diz caminhoneiro após viver noite de terror em sequestro que terminou com dois mortos e cinco presos em VG


Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

JBNews

Por Emerson Teixeira

O que começou como uma parada para preparar o jantar às margens da Rodovia dos Imigrantes (BR-070), em Várzea Grande, transformou-se em horas de terror para o caminhoneiro João Osvaldo, morador de Irati (PR). Rendido por uma quadrilha especializada em sequestros-relâmpago e extorsão, ele foi mantido em cárcere privado, ameaçado de morte e obrigado a entregar senhas bancárias. A ação criminosa terminou com cinco integrantes da organização presos, dois mortos em confronto com a Polícia Militar e a vítima resgatada com vida.

Ainda abalado, João resumiu o drama vivido durante o período em que esteve sob o domínio dos criminosos. “Eu achei que ia morrer”, desabafou ao recordar os momentos em que acreditou que não sairia vivo do cativeiro.

Segundo o caminhoneiro, os criminosos chegaram de forma repentina enquanto ele preparava uma refeição em um posto de combustíveis. Armados e extremamente agressivos, o renderam e o colocaram à força dentro de um veículo. Durante todo o trajeto até o esconderijo, ele permaneceu deitado no banco dianteiro, enquanto cinco criminosos mantinham os pés sobre seu corpo para impedir qualquer reação.

Ao chegar ao cativeiro, localizado em uma região isolada de Várzea Grande, a vítima teve a cabeça coberta e foi proibida de olhar para os sequestradores. Embora não tenha sofrido agressões físicas severas, viveu horas de intenso terror psicológico. Os criminosos encostavam armas em seu corpo e ameaçavam executar uma “roleta-russa” caso ele se recusasse a fornecer senhas bancárias e informações financeiras.

Temendo ser assassinado, João decidiu colaborar. A quadrilha realizou transferências bancárias via Pix, efetuou compras, utilizou cartões e contratou empréstimos em nome da vítima. O prejuízo financeiro ultrapassou R$ 50 mil, resultado da soma dos valores retirados das contas e das operações realizadas durante o período do sequestro.

Na manhã seguinte, os criminosos tentaram aumentar ainda mais o lucro do crime. Eles obrigaram João a telefonar para um dos irmãos, tentando convencê-lo a enviar dinheiro. O familiar, no entanto, percebeu que havia algo estranho na conversa e recusou as exigências, frustrando os planos da quadrilha.

Enquanto isso, a família do caminhoneiro iniciava uma verdadeira força-tarefa para encontrá-lo. A filha conseguiu rastrear o telefone celular do pai e repassou informações que ajudaram as forças de segurança a direcionar as buscas. Ao perceberem que poderiam ser localizados, os sequestradores destruíram o aparelho na tentativa de eliminar qualquer possibilidade de rastreamento.

A mobilização das equipes da Polícia Militar, especialmente da Força Tática, foi decisiva para localizar o cativeiro e iniciar a operação de resgate. Parte dos criminosos tentou fugir para Cuiabá, onde houve confronto armado com os policiais. Dois suspeitos acabaram mortos após reagirem à abordagem, enquanto outros cinco integrantes da organização criminosa foram presos.

Segundo o caminhoneiro, um dos criminosos mortos era justamente o mais agressivo do grupo, responsável pelas maiores ameaças durante o período de cárcere. O relato reforça o clima de violência vivido pela vítima, que acreditava a todo momento que seria executada.

O momento do resgate foi marcado pela emoção. Ao perceber a chegada das equipes policiais e compreender que havia sido salvo, João não conseguiu conter as lágrimas.

“Quando eu vi a polícia chegando, até chorei de emoção”, contou.

As investigações apontam que a quadrilha atuava de forma organizada, escolhendo caminhoneiros como alvo devido à possibilidade de movimentação rápida de dinheiro por meio de transferências eletrônicas, cartões bancários e contratação de empréstimos instantâneos. A Polícia Civil trabalha para identificar se o grupo possui ligação com outras ocorrências semelhantes registradas na região metropolitana de Cuiabá e se integra uma organização criminosa especializada em sequestros e extorsões.

Os cinco presos foram encaminhados à delegacia e devem responder por crimes como organização criminosa, sequestro e cárcere privado, extorsão qualificada, roubo e outros delitos que forem confirmados ao longo das investigações. Eles passaram por audiência de custódia e permanecem à disposição da Justiça.

O caso acendeu um novo alerta para a segurança de caminhoneiros que trafegam pelas rodovias de Mato Grosso, especialmente nos acessos à região metropolitana, onde criminosos têm utilizado postos de combustíveis e áreas de descanso como pontos de observação para escolher vítimas. As forças de segurança afirmam que as investigações continuam para identificar possíveis colaboradores da quadrilha e esclarecer se o grupo participou de outros sequestros registrados recentemente no Estado.

VEJA :



Source link

Sobre o Autor

0 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *