Análise: João Fonseca dá boa notícia ao avançar em Montreal mesmo sem ritmo


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João Fonseca não fez uma partida primorosa, nesta quarta-feira (5), ao estrear no Masters 1000 de Montreal contra o grego Stefanos Tsitsipas, ex-número 3 do mundo. Mas conseguiu o mais importante: vencer.

E, mesmo com um susto ou outro, venceu bem, em dois sets, parciais de 7-6 e 7-5, num jogo de 1h50m que abriu a programação do dia na quadra principal — ou seja, com sol a pino, muito calor e umidade, exigindo transpiração.

É uma ótima notícia, já que João Fonseca não disputava uma partida oficial desde 3 de julho, há mais de um mês, quando foi dominado pelo russo Roman Safiullin e eliminado na terceira rodada de Wimbledon.

A falta de ritmo era uma preocupação dos torcedores e do próprio tenista carioca de 19 anos, que repetiu, nas entrevistas pós-jogo, o desafio natural que é voltar a disputar uma partida competitiva depois de um período parado.

João Fonseca ajusta forehand no 2º set e domina Tsitsipas

E João ainda tem aprendido a lidar com isso. É notória a queda de nível que ele costuma ter nestas circunstâncias. Foi assim no início da gira de saibro e também na grama, ambas em 2026, contra adversários menos fortes que Tsitsipas.

Apesar de ainda estar longe do nível que já mostrou, o grego tem experimentado uma boa evolução desde que mudou de comissão técnica e era um adversário complicado, como ficou claro em Montreal, especialmente no primeiro set, decidido no tiebreak.

João conseguiu fechar e, ganhando ritmo durante a partida, subiu muito de nível no segundo set, especialmente no forehand, sua principal arma. Segundo o perfil “Tennis Insights”, o aproveitamento na direita de João subiu de 70% para mais de 90% de um set para o outro.

Quando sacou para fechar o jogo e acabou sendo quebrado, o brasileiro voltou a mostrar uma de suas grandes valências: a força mental, aditivada pelo amadurecimento no circuito. Quebrou Tsitsipas de volta e confirmou seu saque para vencer a partida.

Chaveamento pouco favorável é o desafio

João Fonseca agora terá que continuar buscando o ritmo ideal enquanto enfrenta pedreiras num chaveamento nada favorável a ele. O próximo adversário é Casper Ruud, ex-número 2 do mundo, que passou pela estreia com tranquilidade contra o argentino Juan Manuel Cerúndulo.

Apesar de ter o saibro como grande especialidade — superfície na qual foi batido por João Fonseca nas oitavas de final de Roland Garros 2026, com grande desempenho do brasileiro —, o norueguês tem armas poderosas que podem machucar na quadra dura, como o forehand.

João avança como favorito, mas precisará aumentar o nível para seguir vivo no Masters 1000 do Canadá. Caso passe por Ruud, pode reencontrar Ben Shelton numa eventual oitavas de final. Seria uma revanche e tanto.



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