Ao contrário da Copa, o Carnaval pode influenciar eleitor


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E analisaram o conteúdo dessas letras para entender, até com um pouco de ajuda de inteligência artificial, mas muito supervisionada, do que se tratava, separando em grupos. E a grande novidade: associaram isso ao comportamento eleitoral nas áreas vizinhas à sede, às quadras das escolas de samba, para analisar o comportamento eleitoral deles.
José Roberto de Toledo

Toledo diz que o artigo – ainda em revisão por pares – foi escrito por Caio Andrade de Sousa Gonçalves, Cesar Zucco e Fábio Caldeirar. A pesquisa testa, na prática, a ideia de que o carnaval seria apenas “ópio do povo”.

O resultado, segundo ele, não aponta causa e efeito, mas uma associação forte: escolas que cantaram com mais frequência temas sobre raça e cultura negra aparecem ligadas a mais votos de oposição nas urnas do entorno.

O que eles descobriram é muito bacana. Não é uma relação de causa e efeito, não dá para falar em causalidade, mas tem uma forte associação entre escolas de samba que tinham preferência por enredos ligados, por exemplo, à negritude, ao movimento anti-escravagista ou questões relacionadas à raça, cor, e muito mais votos de oposição no colégio eleitoral mais próximo do que as que fizeram letras preponderantemente exaltando a ditadura ou a democracia racial brasileira.
José Roberto de Toledo

Como exemplo, Toledo destaca o Salgueiro, escola da Zona Norte do Rio. Ele afirma que, ao longo de décadas, a agremiação levou à avenida enredos que exaltavam cultura africana, resistência e críticas ao escravagismo.

O melhor exemplo, segundo os autores, foi o do Salgueiro. Já em 1957 apresentou um samba-enredo chamado Navio Negreiro. Três anos depois, levou à avenida um chamado Quilombo dos Palmares. E durante a ditadura continuou: em 71, Festa para um rei negro, e em 78, Do Yorubá, a luz, a aurora dos deuses. Sambas-enredo exaltando a cultura negra, a cultura vinda da África, a resistência, no caso dos quilombos, e uma crítica ao escravagismo.
José Roberto de Toledo





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