As chances de reeleição de Gianni Infantino à presidência da Fifa ganharam novo fôlego após o dirigente receber o apoio do principal órgão do futebol asiático. O movimento estratégico isola ainda mais a Europa no cenário político internacional e expõe a falta de um adversário considerado competitivo para o pleito.
O presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, declarou apoio público à candidatura de Infantino durante o congresso extraordinário da entidade, realizado nesta sexta-feira (23), em Tóquio. O anúncio marcou uma reconciliação expressiva entre os dois dirigentes após meses de desgaste político.
Reconciliação e alianças estratégicas na Ásia
Anteriormente, Sheikh Salman havia se juntado ao presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, e ao chefe da Concacaf, Victor Montagliani, nas críticas contundentes à proposta FIFA Forward Enterprise (FFE). A iniciativa previa investimentos privados em uma nova entidade responsável por direitos comerciais ligados a grandes competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo.
A oposição pública ao projeto, seguida de pedidos para que Infantino renunciasse, levantou dúvidas sobre uma possível divisão na base de apoio até então sólida do presidente da entidade máxima do futebol. No entanto, durante o congresso da AFC, Sheikh Salman afirmou que a Ásia está unida em torno de Infantino, reduzindo o espaço para eventuais adversários antes da eleição prevista para março.
Cenário eleitoral e a divisão de forças nas federações
A Ásia reúne 47 associações-membro, mas apenas 46 delas são filiadas à Fifa e têm direito a voto na eleição presidencial. Cada federação nacional dispõe de um voto, independentemente do tamanho do país ou de sua tradição no futebol mundial.
Infantino já havia garantido o apoio da Confederação Africana de Futebol, que reúne 54 associações e mantém relações próximas com o dirigente. A Conmebol, que possui dez votos, não aderiu aos pedidos de renúncia, e a maioria das associações da Oceania também deve permanecer ao lado do atual presidente.
A Concacaf, que representa a América do Norte, a América Central e o Caribe, iniciou o processo unida às críticas, mas agora apresenta divisões internas. Integrantes influentes, como o México, declararam apoio ao atual mandatário, enfraquecendo o bloco opositor.
Uefa isolada e o impacto das promessas financeiras
A Uefa mantém as críticas a Infantino e cobra explicações sobre o projeto FFE, que acabou sendo abandonado pelo presidente. O dirigente pediu desculpas pela condução da iniciativa durante uma reunião fechada do Conselho da Fifa, realizada em Zurique, e destacou a expansão dos repasses financeiros para as federações nacionais.
“Em dez anos desde que me tornei presidente da Fifa, passamos de US$ 1 milhão para cada associação-membro da Fifa para US$ 25 milhões para cada uma, em todo o mundo”, afirmou Infantino ao defender a união da entidade.
Se a Uefa não apresentar rapidamente um candidato capaz de conquistar apoio fora da Europa, a eleição tende a deixar de ser uma disputa competitiva e se tornará uma demonstração de força da atual gestão sobre os 211 membros votantes da Fifa.
Continue acompanhando o Play Notícias News para se manter atualizado sobre os principais acontecimentos do esporte nacional e internacional, com cobertura completa, imparcial e análises aprofundadas dos bastidores do futebol global.
Mais sobre este assunto
Justiça cassa liminar por unanimidade e atleta Tifanny fica fora da Superliga
Brest e Nice duelam pela Ligue 1 com transmissão ao vivo no Brasil
Especialista explica por que a mulher passa um terço da vida na menopausa
Ministério abre consulta pública para debater infraestrutura de veículos elétricos