“As nulidades não existem”: promotora desmonta tese da defesa de Carlinhos Bezerra após abandonar júri popular


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A nova suspensão do julgamento do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, provocou forte reação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Responsável pela acusação no caso do duplo homicídio que vitimou a ex-companheira do réu, Thays Machado, e o então namorado dela, Willian César Moreno, a promotora de Justiça Élide Manzini classificou a atuação da defesa como uma sucessão de medidas protelatórias destinadas exclusivamente a impedir que o caso seja finalmente levado ao Tribunal do Júri.

Em entrevista concedida após o adiamento da sessão desta terça-feira (21), no Fórum de Cuiabá, a promotora afirmou que, passados mais de três anos do crime, não existe qualquer fundamento jurídico capaz de impedir o julgamento. Segundo ela, todas as alegações apresentadas pela defesa já foram analisadas e rejeitadas tanto pelo juiz da Primeira Vara do Tribunal do Júri quanto pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Para Élide Manzini, a insistência em levantar supostas nulidades processuais representa apenas uma tentativa de prolongar o desfecho de um caso que há anos mobiliza familiares das vítimas e a sociedade mato-grossense.

“A família espera por Justiça há mais de três anos. A defesa insiste em nulidades que simplesmente não existem e que já foram completamente afastadas pela Justiça. É um absurdo”, afirmou a promotora.

Ela também rebateu um dos argumentos apresentados pelos advogados do empresário, relacionado ao horário registrado no aparelho celular de Thays Machado. Conforme explicou, a divergência decorre apenas da configuração do relógio do telefone, sem qualquer impacto na dinâmica dos fatos investigados.

“É uma questão de horário do celular. Transformar isso em tese de nulidade é uma aberração. Não procede de forma alguma”, enfatizou.

Segundo a representante do Ministério Público, a nova estratégia segue o mesmo roteiro adotado nas últimas semanas, quando sucessivos pedidos de adiamento foram protocolados às vésperas do julgamento. O primeiro júri estava inicialmente marcado para o início de julho, mas foi remarcado após requerimento da própria defesa, que alegou necessidade de analisar um grande volume de provas digitais.

Com a retomada da sessão nesta terça-feira, a expectativa era de que finalmente o Conselho de Sentença fosse formado. Entretanto, o abandono da defesa durante os trabalhos acabou provocando novo adiamento.

Apesar do episódio, a promotora garantiu que a magistrada responsável pelo caso já redesignou o julgamento para o próximo dia 31 de julho e determinou a imediata intimação do réu para constituir novos advogados. Caso isso não ocorra, a Defensoria Pública assumirá sua representação.

“A juíza já intimou o réu para apresentar nova defesa. Se isso não acontecer, a Defensoria Pública atuará no processo. O defensor público já foi intimado. Portanto, essas tentativas de atrasar o julgamento podem até ser apresentadas, mas não terão efeito para impedir a realização do plenário”, declarou.

Na avaliação do Ministério Público, o abandono da defesa reforça a percepção de que não existem mais argumentos jurídicos consistentes capazes de afastar a acusação perante os jurados.

Para Élide Manzini, o Tribunal do Júri representa a manifestação direta da sociedade diante de crimes de extrema gravidade, especialmente os relacionados à violência contra a mulher.

“O Tribunal do Júri demonstra aquilo que a sociedade não aceita. A população quer uma resposta da Justiça. Essa sucessão de medidas protelatórias apenas evidencia a tentativa de fugir do julgamento popular, quando o que a sociedade espera é justamente que esse caso seja apreciado pelos jurados”, afirmou.

O caso é considerado um dos mais emblemáticos da Justiça criminal de Mato Grosso. Carlinhos Bezerra responde pela acusação de feminicídio contra Thays Machado e homicídio qualificado de Willian César Moreno, mortos a tiros em janeiro de 2023, em Cuiabá. Desde então, o processo passou por diversas fases processuais, incluindo recursos, pedidos de habeas corpus, questionamentos sobre provas periciais e incidentes levantados pela defesa.

Com a nova data marcada para 31 de julho, o Ministério Público demonstra confiança de que o processo finalmente será submetido ao julgamento pelo Tribunal do Júri, encerrando uma sequência de adiamentos que, segundo a acusação, já extrapola os limites do direito de defesa e prolonga a espera por uma resposta definitiva do Poder Judiciário às famílias das vítimas e à sociedade mato-grossense.

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