A Assembleia de Deus, maior denominação pentecostal de Mato Grosso, reafirmou seu protagonismo no cenário eleitoral do estado. Com uma capilaridade que alcança todos os 142 municípios e uma base composta por mais de 500 mil fiéis, a instituição consolidou sua influência ao eleger cinco deputados estaduais, superando o desempenho de outras denominações religiosas no último pleito.
A estratégia de ocupação do Legislativo
O sucesso eleitoral da Assembleia de Deus foi impulsionado por uma articulação direta entre lideranças eclesiásticas e a base de fiéis. Entre os parlamentares que garantiram a permanência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) com o apoio da igreja, destacam-se os deputados reeleitos Thiago Silva (MDB), Sebastião Rezende (União) e Chico Guarnieri (PSDB).
Além da manutenção de nomes experientes, a igreja foi peça-chave na eleição de novas figuras no Legislativo estadual. O grupo garantiu o apoio necessário para a vitória de Samantha Íris (PL), primeira-dama de Cuiabá, e Alessandra Ferreira (Podemos), primeira-dama de Rondonópolis, que chegam ao parlamento com o respaldo da comunidade evangélica.
Cenário federal e a votação expressiva
O pleito em Mato Grosso também foi marcado por votações expressivas para a Câmara Federal. O deputado Fábio Garcia (União), ex-secretário da Casa Civil, garantiu seu terceiro mandato com 139.777 votos, consolidando-se como uma das principais forças políticas do estado. Sua trajetória, que inclui passagens pela suplência no Senado e o retorno à Câmara, reflete a dinâmica de alianças no grupo liderado pelo governador Mauro Mendes.
Outro destaque foi o desempenho do Coronel Assis (PL), que obteve 128.697 votos, um crescimento de 170% em relação à sua eleição anterior. O ex-comandante-geral da Polícia Militar, ao migrar para o PL, conseguiu capitalizar o apoio de setores bolsonaristas, garantindo uma das votações mais expressivas do estado e superando expectativas de analistas políticos locais.
Movimentações no Tribunal de Contas
Enquanto o Legislativo se renova, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) vive um momento de incerteza nos bastidores. O conselheiro Waldir Teis, que completará 73 anos, desistiu de última hora de seu pedido de aposentadoria. A decisão, motivada por críticas a especulações sobre a sucessão de sua cadeira vitalícia, interrompeu as articulações de deputados que já se movimentavam para ocupar a vaga, que é de indicação do Legislativo.
A permanência de Teis mantém o status quo no tribunal, mas não encerra o debate sobre a politização das cadeiras de conselheiro. Nomes como o do deputado Eduardo Botelho, que não obteve êxito na reeleição, são frequentemente citados nos corredores da política mato-grossense como possíveis sucessores em futuras vacâncias, mantendo o tema em evidência no debate público.
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