Com 12 votos, grupo de Paula Calil busca mais seis para mudar regimento e já fala em judicializar eleição antecipada da Câmara de Cuiabá


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JB News

Por Redação

A sucessão da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá deixou de ser apenas uma eleição interna para se transformar em uma das mais intensas disputas políticas dos últimos anos dentro do Legislativo da capital. O que está em jogo neste momento não é apenas quem ocupará a presidência da Casa no próximo biênio, mas principalmente a construção de uma maioria qualificada capaz de alterar o Regimento Interno e abrir caminho para uma eventual candidatura à reeleição da atual presidente, Paula Calil (PL).

Nos bastidores, os números revelam a dimensão do desafio. Paula afirma contar atualmente com uma base de 12 vereadores. Do outro lado, o vereador Ilde Taques (Podemos) sustenta ter o apoio de 13 parlamentares em torno de um bloco independente que tenta construir uma alternativa ao grupo governista e disputar o comando do Legislativo sem a influência direta do Palácio Alencastro.

A matemática, porém, mostra que a disputa vai muito além da simples soma de votos para uma futura eleição. Para que Paula Calil possa disputar a reeleição, primeiro será necessário aprovar uma mudança no Regimento Interno da Câmara. E para isso não bastam 12 ou 13 votos. São necessários 18 votos favoráveis para alterar as regras da Casa.

Foi justamente esse cenário que levou o vereador Demilson Nogueira (PP), um dos principais articuladores políticos do grupo da presidente, a admitir publicamente o tamanho do desafio. Segundo ele, o trabalho do momento está concentrado na construção dessa maioria qualificada.

— Estamos trabalhando para chegar aos 18 votos — afirmou.

A declaração, na prática, expõe a principal batalha travada atualmente nos corredores da Câmara. Antes mesmo da disputa pela presidência, a guerra política está concentrada na busca pelos votos necessários para mudar as regras do jogo.

Nesse tabuleiro, dois vereadores passaram a ocupar posição estratégica. Dilemário Alencar e Baixinha Giraldelli mantêm diálogo com diferentes grupos políticos e ainda não integram formalmente nenhuma construção majoritária. A condição dos dois aumenta o peso de suas decisões dentro das articulações em andamento.

Nos bastidores, a avaliação é de que uma eventual aproximação da dupla com qualquer um dos grupos pode alterar o equilíbrio de forças na futura eleição da Mesa Diretora. Porém, mesmo que um dos lados consiga ampliar sua vantagem numérica, a questão central permanece a mesma: a obtenção dos 18 votos necessários para a mudança regimental.

A situação transformou a Câmara em um verdadeiro xadrez político. Enquanto o grupo de Ilde trabalha para consolidar sua base e impedir alterações no regimento, aliados de Paula intensificam conversas para ampliar apoios e viabilizar a construção da maioria qualificada. A disputa, que inicialmente parecia concentrada na escolha do próximo presidente, passou a girar em torno da capacidade de cada grupo de convencer vereadores a aderirem a um projeto político maior.

Como se não bastasse a batalha pelos votos, uma nova frente de discussão surgiu nos últimos dias. Demilson revelou que integrantes do Partido Liberal avaliam a possibilidade de questionar judicialmente a antecipação da eleição da Mesa Diretora, utilizando como referência decisões recentes do Supremo Tribunal Federal sobre eleições antecipadas em casas legislativas.

A movimentação ganhou força porque o Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá estabelece que a eleição da Mesa Diretora para o próximo biênio seja realizada no dia 25 de agosto. A data, considerada distante do encerramento do atual mandato, passou a ser alvo de discussões entre os grupos políticos após o precedente aberto pelo STF em casos semelhantes, entre eles o impasse envolvendo a eleição antecipada da Câmara de Várzea Grande. Nos bastidores, a avaliação é de que uma eventual judicialização poderia empurrar o pleito para mais próximo do fim do mandato da atual Mesa, ampliando o prazo para negociações e articulações políticas.

A estratégia teria ainda um efeito direto sobre a disputa interna: dar mais tempo para que o grupo da presidente tente construir os seis votos que ainda faltariam para alcançar a maioria qualificada necessária à mudança do regimento. Do outro lado, o bloco liderado por Ilde Taques trabalha para manter sua composição unida e impedir que a base governista alcance os 18 votos necessários para alterar as regras da disputa.

Com CPIs em discussão, denúncias políticas ocupando espaço no debate legislativo, uma possível judicialização da eleição e uma corrida aberta pela formação de maioria, a sucessão da Câmara de Cuiabá já se tornou muito mais do que uma simples disputa pela presidência. Hoje, o verdadeiro jogo de poder está na construção dos 18 votos que podem mudar as regras da Casa. E, diante da necessidade de conquistar novos apoios para viabilizar esse projeto, a pergunta que domina os corredores do Legislativo cuiabano continua a mesma: quem vai roer a corda primeiro?



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