“Delegado revela suposta tentativa de arrecadar R$ 10 milhões para impedir delação de PM no caso Renato Nery”


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JB News

Por Emerson Teixeira

Uma revelação feita durante o julgamento do assassinato do advogado Renato Gomes Nery trouxe um novo elemento para uma das investigações criminais de maior repercussão em Mato Grosso. Segundo o delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Bruno Sérgio Magalhães Abreu, um grupo de advogados teria tentado arrecadar cerca de R$ 10 milhões para impedir que o sargento da Polícia Militar Heron Teixeira Pena Vieira revelasse detalhes sobre a estrutura criminosa apontada como responsável pela execução do advogado.

A informação foi apresentada ao Conselho de Sentença durante o julgamento de Alex Roberto de Queiroz Silva, primeiro dos seis denunciados a responder perante o Tribunal do Júri pelo homicídio de Renato Nery. Alex confessou ter participado da execução e acabou condenado a 33 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado, além do pagamento de indenização equivalente a 40 salários mínimos aos familiares da vítima.

De acordo com o delegado, a informação sobre a suposta arrecadação milionária surgiu a partir dos depoimentos prestados por Kaster Huttner Garcia, investigado que passou a colaborar com a Polícia Civil após ser preso durante o avanço das investigações. Conforme relatado em plenário, Kaster apresentou uma série de informações consideradas fundamentais para que a DHPP identificasse a cadeia de comando da organização criminosa envolvida no assassinato.

Segundo o depoimento reproduzido pelo delegado, Heron Teixeira Pena Vieira estaria sofrendo forte pressão para permanecer em silêncio e não revelar toda a estrutura do grupo criminoso. Ainda conforme esse relato, um grupo de advogados teria iniciado uma mobilização para arrecadar aproximadamente R$ 10 milhões com o objetivo de evitar que o policial militar colaborasse com as investigações.

Durante o julgamento, Bruno Abreu afirmou que a testemunha relatou que o dinheiro seria destinado a “calar a boca” do sargento, impedindo que ele revelasse toda a arquitetura do crime, incluindo possíveis mandantes, intermediários e demais envolvidos na execução do advogado.

Outro ponto destacado durante a sessão foi a informação de que o advogado Jackson Pereira Barbosa, responsável pela defesa de Heron, teria realizado uma chamada de vídeo com o policial militar antes mesmo de ele prestar depoimento às autoridades. Esse fato também passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores, que buscam compreender se houve qualquer tentativa de interferência na produção das provas.

O Ministério Público sustenta que Heron Teixeira Pena Vieira desempenhou papel estratégico na organização criminosa, sendo apontado como intermediário entre os executores e os supostos mandantes do homicídio. A acusação afirma que ele teria sido responsável por fazer a ligação entre quem encomendou o assassinato e quem executou o crime.

Já Alex Roberto de Queiroz Silva, em seu interrogatório, confirmou ter efetuado os disparos que mataram Renato Nery, mas alegou que aceitou participar da ação após ouvir que receberia R$ 200 mil pelo serviço. A versão apresentada pela defesa, entretanto, diverge da tese sustentada pelo Ministério Público, que atribui o planejamento do crime a uma organização estruturada e composta por diversos integrantes.

As investigações da Polícia Civil apontam que o assassinato do advogado foi cuidadosamente planejado, envolvendo monitoramento da rotina da vítima, divisão de funções entre os participantes e planejamento da fuga após a execução. O crime ocorreu em julho de 2024, em Cuiabá, e desde então mobiliza diversas frentes investigativas.

A revelação feita durante o julgamento reforça a suspeita de que, mesmo após a prisão de parte dos investigados, ainda teriam ocorrido tentativas de impedir o avanço das apurações e de evitar que integrantes da organização colaborassem com a Justiça. Caso a suposta arrecadação milionária seja confirmada durante a continuidade das investigações, novos procedimentos poderão ser instaurados para apurar possíveis crimes de obstrução da Justiça, coação no curso do processo, favorecimento pessoal e eventual participação de terceiros na tentativa de interferir nas investigações.

O julgamento de Alex Roberto representa apenas a primeira etapa da responsabilização criminal dos denunciados. Os demais acusados ainda deverão ser submetidos ao Tribunal do Júri, enquanto a Polícia Civil e o Ministério Público continuam aprofundando as investigações para esclarecer todos os detalhes da organização apontada como responsável pela morte de Renato Nery e identificar eventual participação de outras pessoas que ainda não foram denunciadas.

As declarações sobre a suposta arrecadação de R$ 10 milhões foram apresentadas em plenário pelo delegado com base em depoimentos de uma testemunha colaboradora e integram a linha investigativa do caso. Até o momento, eventual participação de advogados ou de outras pessoas citadas nesses relatos ainda depende de apuração e de eventual responsabilização judicial, sendo preservada a presunção de inocência dos envolvidos.



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