Derrota na reprovação da LDO expõe racha entre Abilio e Câmara e eleva crise política em Cuiabá
JB News
por Jota de Sá
A rejeição do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 pela Câmara Municipal de Cuiabá transformou uma votação técnica em um dos maiores reveses políticos da gestão do prefeito Abilio Brunini (PL). O placar de apenas 12 votos favoráveis, oito contrários e sete abstenções deixou evidente que o Executivo já não consegue manter unidade entre os vereadores da base e escancarou a crise institucional provocada pela disputa antecipada da Mesa Diretora do Legislativo.
A proposta precisava de, no mínimo, 14 votos para ser aprovada, conforme exige a maioria absoluta dos 27 parlamentares. Com a derrota, a principal lei de planejamento orçamentário do município foi barrada justamente às vésperas do recesso parlamentar, impondo uma derrota política significativa ao Palácio Alencastro e aumentando a tensão entre Executivo e Legislativo.
Nos bastidores, vereadores admitem que a votação da LDO deixou de ser apenas uma discussão sobre metas fiscais e passou a refletir a disputa pelo comando da Câmara para o biênio 2027/2028. O embate entre os grupos que defendem a permanência da presidente Paula Calil (PL) e os parlamentares que apoiam a candidatura do vereador Ilde Taques (Podemos) acabou contaminando as relações políticas dentro da Casa, dividindo parlamentares que até pouco tempo integravam o mesmo bloco governista.
A crise vem se aprofundando há semanas. A tentativa de construir uma maioria para permitir a reeleição de Paula Calil, a discussão sobre mudanças no Regimento Interno e a intensa movimentação de bastidores provocaram desgaste entre vereadores e Executivo. Enquanto aliados do prefeito defendem a continuidade da atual presidente, outro grupo acusa a Prefeitura de interferir diretamente na eleição interna da Câmara, alimentando um ambiente de instabilidade política.
O resultado desta quinta-feira demonstrou que o governo perdeu capacidade de articulação justamente na votação considerada mais importante antes da elaboração do orçamento municipal. A derrota também sinaliza que futuras matérias estratégicas poderão enfrentar dificuldades semelhantes caso não haja recomposição da base.
A proposta rejeitada previa receita total de R$ 5,07 bilhões para 2027, crescimento estimado de 3,1% em relação ao exercício anterior. O texto estabelecia arrecadação própria de aproximadamente R$ 1,73 bilhão, além de R$ 2,46 bilhões provenientes de transferências da União e do Estado. Também projetava receitas primárias de R$ 4,91 bilhões, despesas de R$ 5,08 bilhões e superávit primário próximo de R$ 66,8 milhões.
Entre as prioridades previstas estavam investimentos em saúde, educação, mobilidade urbana, infraestrutura, segurança pública e equilíbrio fiscal. O projeto ainda ampliava de 1% para 2% da Receita Corrente Líquida o limite destinado às emendas parlamentares individuais, desde que houvesse viabilidade técnica para sua execução.
A rejeição da LDO produz efeitos que vão além do orçamento. Politicamente, fortalece o grupo que faz oposição à reeleição de Paula Calil, enfraquece a capacidade de negociação do Executivo e amplia a percepção de que a sucessão da Mesa Diretora já domina praticamente todas as votações importantes da Câmara Municipal.
Com a derrota, a Prefeitura deverá decidir se reapresenta o projeto com alterações ou se intensifica as negociações para reconstruir uma maioria no Legislativo. Enquanto isso, a eleição da Mesa Diretora continua sendo o principal foco das articulações políticas em Cuiabá, influenciando diretamente a relação entre os Poderes e o andamento das principais pautas da administração municipal.
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