“Diretório Nacional tem poder absoluto para anular a convenção”, afirma Júlio Campos em meio ao impasse no União Brasil


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JBNews

Por Nayara Cristina

Do local Guilherme Augusto

A disputa interna pela definição do candidato ao Governo de Mato Grosso dentro do União Brasil continua longe de um consenso e já ultrapassa as fronteiras do diretório estadual. Em entrevista, o deputado estadual Júlio Campos afirmou que, caso a convenção partidária não consiga resolver o impasse entre as correntes que defendem as pré-candidaturas do senador Jayme Campos e do vice-governador Otaviano Pivetta, a decisão poderá ser transferida para Brasília, onde o Diretório Nacional e a Federação União Progressista possuem competência para intervir, inclusive anulando a deliberação estadual.

A declaração ocorre em um momento de forte tensão política dentro da legenda. O União Brasil vive um dos seus maiores desafios internos dos últimos anos diante da divisão entre a ala que defende a candidatura própria de Jayme Campos e o grupo liderado pelo governador Mauro Mendes, que trabalha para consolidar o nome de Otaviano Pivetta como sucessor do atual projeto administrativo.

A divergência provocou uma intensa movimentação nos bastidores e levou as principais lideranças do partido a anteciparem a realização da convenção estadual, numa tentativa de acelerar a definição do cenário eleitoral e reduzir o desgaste interno provocado pela disputa.

Apesar do ambiente de divisão, Júlio Campos fez questão de afastar qualquer interpretação de conflito pessoal com Otaviano Pivetta. Segundo ele, o debate ocorre exclusivamente no campo político e programático.

“Em política tudo é possível. Nós não temos absolutamente nada contra o Otaviano Pivetta. Pelo contrário, existe uma relação de respeito entre Jayme Campos, eu, Dilmar Dal Bosco, Sebastião Rezende e o próprio Otaviano. O que nós defendemos é que o União Brasil tenha o direito de apresentar seu programa de governo e disputar o primeiro turno com candidatura própria.”

O parlamentar reafirmou que a estratégia defendida por seu grupo é permitir que o partido apresente seu projeto aos eleitores na primeira etapa da eleição. Para ele, somente após o resultado das urnas seria construída uma eventual composição.

“Se no segundo turno tivermos que escolher um candidato ao Governo, naturalmente será muito mais fácil caminhar com Otaviano Pivetta, justamente porque fazemos parte do mesmo grupo político há cerca de doze anos.”

A fala demonstra que, apesar da disputa atual, a ala ligada a Jayme Campos não descarta uma futura reunificação da base governista, caso a candidatura do senador não avance para a fase decisiva da eleição.

No entanto, o trecho mais contundente da entrevista veio ao comentar os possíveis desdobramentos da convenção estadual. Júlio Campos afirmou que, caso não haja entendimento interno, a decisão poderá ser levada às instâncias nacionais da legenda.

“Se houver alguma dificuldade na convenção, existe prazo para levar o problema ao Diretório Nacional, em Brasília. O Diretório Nacional tem poder absoluto até para anular a convenção. Não há problema nenhum. Não só o Diretório Nacional, como também a Federação pode fazer isso.”

A declaração evidencia que o embate entre os grupos deixou de ser apenas uma disputa regional e passou a envolver diretamente a direção nacional do partido. Na prática, mesmo que a convenção estadual defina um caminho, a decisão poderá ser revista pelas instâncias superiores da sigla, caso haja questionamentos ou recursos.

Nos bastidores, lideranças do União Brasil avaliam que as próximas semanas serão decisivas para a construção de um entendimento. Enquanto Mauro Mendes intensifica as articulações em favor de Otaviano Pivetta, Jayme Campos mantém o discurso de que o partido precisa preservar sua tradição de protagonismo e disputar o Governo do Estado com candidatura própria.

Com a convenção antecipada e a possibilidade de judicialização ou intervenção da direção nacional, a sucessão estadual entra em uma nova fase, marcada por negociações intensas, pressão política e um cenário que permanece completamente aberto. A definição sobre quem representará o União Brasil na corrida ao Palácio Paiaguás poderá não depender apenas da vontade das lideranças estaduais, mas também da palavra final que vier de Brasília.

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