Dólar e Bolsa hoje (24); acompanhe as cotações – 24/06/2026 – Economia


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O dólar abriu em alta nesta quarta-feira (24) e superando a casa de R$ 5,20, em meio ao avanço da moeda norte-americana no exterior, em mais uma sessão até o momento de busca dos investidores por ativos mais seguros.

Às 9h26, a divisa dos EUA subia 0,46%, cotada a R$ 5,21. Na terça-feira (23), o dólar fechou em alta de 0,84%, a R$ 5,185, e a Bolsa avançou 0,52%, a 171.258 pontos.

Investidores digeriram a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. O colegiado optou por cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,5% para 14,25% ao ano, embora tenha reconhecido uma piora nas expectativas para a inflação.

A decisão gerou ruído no mercado, que interpretou a justificativa do Copom como sinal de maior tolerância com inflação acima da meta. Participantes do mercado interpretaram que a ata reforça um cenário de cautela, ao passo que não dissipa todas as dúvidas sobre a trajetória da Selic.

“O documento reforçou a desancoragem adicional das expectativas de inflação, especialmente para horizontes mais longos, reconheceu balanço de riscos com assimetria para cima e não deu sinal claro para a reunião de agosto”, diz Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

“A leitura inicial foi de comunicação ainda confusa, mas a ausência de compromisso com novos cortes reduziu parte da pressão sobre os juros futuros, que passaram a ceder ao longo do dia.”

Segundo o BC, uma eventual tentativa de atingir a meta de inflação no último trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, demandaria ajustes agressivos da taxa Selic e faria, em seguida, a inflação ficar abaixo da meta por um prazo prolongado.

Diante dessa constatação, a autarquia avaliou serem mais adequadas, no momento, trajetórias da Selic menos discrepantes às apontadas pelo mercado no boletim Focus, questionário pré-Copom e precificação da política monetária, que levariam a inflação ao alvo de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028.

Isso evitaria “induzir volatilidade excessiva” nos ativos financeiros e agregados macroeconômicos.

“O comitê debateu que esse conjunto de resultados deve ser ponderado à luz das melhores práticas de política monetária, recomendando não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, que no momento atual incluem incertezas relevantes”, diz a ata, citando as consequências dos conflitos no Oriente Médio e os impactos do fenômeno climático El Niño.

O Copom assinalou ainda que a projeção de inflação para o fim de 2027 subiu para 3,7%, distanciando-se da meta. Para perseguir o centro do alvo nesse prazo, a política monetária pressuporia “variações abruptas de direção e de grande magnitude na Selic, seguida de diversos trimestres com inflação abaixo da meta”.

Por isso, passou a considerar diferentes trajetórias mais próximas às previstas pelo mercado, que “contemplavam cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo de calibração”, disse o BC no documento.

Na visão dos analistas Luis Felipe Vital, Cecília Mazzoni e Felipe Figueiró, da Warren Investimentos, a ata traz um BC preocupado em explicar o porquê de não estar reagindo integralmente à deterioração do cenário.

“O recado final é: o processo de calibração [da taxa de juros] será ajustado com a mudança no cenário, e o BC tende a seguir trajetórias semelhantes às expectativas Focus, questionário pré-Copom e precificação de mercado, evitando volatilidade no preço dos ativos e suavizando os agregados macroeconômicos”, afirmam.

“Cortes adicionais dependerão da evolução do cenário e choques de juros estão descartados.”

A indicação de que poderia trabalhar para alcançar o alvo de 3% para o IPCA apenas no primeiro trimestre de 2028, não mais no horizonte relevante da política monetária, atualmente no último trimestre de 2027, gerou reação negativa no mercado.

Os investidores interpretaram que o alongamento do horizonte relevante seria uma forma de mudar a meta sem admitir o ajuste, deixando o ponto de chegada mais distante e desancorando as expectativas de inflação para o período.

Essa leitura alavancou os juros futuros do país. Na segunda-feira, o Tesouro cancelou um leilão de NTN-Bs (Tesouro IPCA+, ou títulos públicos indexados à inflação) programado para terça em meio ao estresse no mercado. A medida foi vista como uma forma de acalmar os investidores e conter a disparada das taxas.

Para o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, a ata confirmou o cenário adverso para a política monetária, mas o BC “justificou o injustificável, confirmando que está confortável em não cumprir o seu mandato no horizonte habitual”.

“Entendo que o BC até quis ser ‘hawk’ (duro com a inflação) na ata, mas acabou confirmando que segue dove (brando) e confortável em não entregar o seu mandato”, acrescentou, referindo-se à meta de inflação.

A expectativa de alta de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) também mexe com os negócios. Liderada pelo novo presidente Kevin Warsh, a autoridade monetária abalou os investidores na semana passada ao sinalizar que estava inclinada a elevar as taxas para conter a ameaça inflacionária provocada pelo conflito no Oriente Médio.

Quanto maior o juro nos Estados Unidos, pior para ativos de mercados emergentes, já que a renda fixa norte-americana é considerada um investimento praticamente livre de risco e, com os Fed Funds em alta, exibe retorno atrativo.

Essa perspectiva sustentou o dólar globalmente nesta sessão, com o índice DXY, que o compara a seis moedas fortes, em alta de 0,4%, a 101,42 pontos.



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